terça-feira, 14 de abril de 2026

Só sobreviver

Existe um tipo de cansaço que não se explica. Não é o cansaço do corpo depois de um dia longo, nem o sono acumulado de noites mal dormidas. É algo mais silencioso, mais profundo — como se a própria ideia de continuar exigisse um esforço desproporcional.

Eu venho carregando isso há algum tempo.

A rotina segue intacta, indiferente. O trabalho continua sendo um lugar onde eu compareço mais por obrigação do que por escolha, onde cada regra pequena parece maior do que deveria, como se alguém estivesse constantemente me lembrando de que ali não é meu lugar — mas, ainda assim, eu permaneço. Porque preciso. Porque não há outra coisa pronta me esperando do lado de fora.

E talvez seja isso que mais dói.

A sensação de que a vida depende de mim, mas ao mesmo tempo me escapa. Como tentar segurar algo com as mãos cansadas demais para sustentar qualquer coisa por muito tempo.

Eu penso em ir embora. Não só de lugares, mas de versões de mim mesmo. Penso na Espanha como quem olha para um ponto distante no horizonte, não exatamente com esperança, mas com uma necessidade quase desesperada de acreditar que existe alguma forma de vida além dessa que me foi entregue.

Mas o tempo… o tempo não colabora.

Às vezes, eu acho que desisti. Daquele tipo de esperança que não precisava de provas, que simplesmente existia. Hoje, tudo parece exigir justificativa. Tudo precisa fazer sentido. E quase nada faz. E então eu me pego questionando até aquilo que antes era intocável.

Deus, o mundo, justiça — conceitos grandes demais para alguém que só queria um pouco de paz dentro do próprio quarto. Mas até isso me falta. O lugar onde eu deveria descansar me cansa. O silêncio que eu deveria encontrar não existe. E assim, eu vou me perdendo aos poucos dentro de um cotidiano que nunca para de exigir, mas raramente oferece algo em troca.

Ainda assim… existem pequenos desvios.
Momentos raros em que eu esqueço de mim mesmo. Como naquele fim de semana, onde, por algumas horas, eu não precisei carregar o peso de existir com tanta consciência. Onde a vida não parecia uma tarefa, mas algo que simplesmente acontecia.

E isso me assusta. Porque mostra que não é impossível se sentir melhor. Só é raro. Raro demais. E talvez seja essa raridade que machuca mais do que a própria dor constante. Saber que existe uma versão da vida que é mais leve… e não saber como permanecer nela...

Então eu sigo. Não por convicção, nem por fé renovada, mas por uma espécie de continuidade automática. Um passo depois do outro, mesmo quando nenhum deles parece levar a lugar algum.

E no meio disso tudo, existe um pensamento que insiste em voltar: Talvez eu não esteja parado. Talvez eu esteja apenas lento demais para perceber que ainda estou indo, mas  isso também não é suficiente para me consolar.

domingo, 1 de junho de 2025

Devaneios Proibidos

Os acordes dessa orquestra me faz sentir-se embriagado, o coral que por vezes "grita" em harmonia, agrada o paladar desse velho ouvinte errante. A noite passada fora composta de boa música e luxúria, tanta luxúria que não lembro tão bem da boa música.

Que meu apetite é grande, você já sabe, o mesmo acontece com minha insaciedade com o vasto repertório musical que possuo. Nunca é o bastante, sempre a procura da próxima nota musical.

Você atiça em mim o sina que aguça minha loucura, só de pensar beiro o abismo feito para almas errantes. Vocês são a prole da mesma genitora, portanto preciso arrancá-la do lugar que outrora fora ocupado por tantas outras Liliths que mexeram com minha cabeça.

A música me faz sentir saudade do que eu nunca vivi, me transportando para um tempo que nunca existiu. O esquema é deixar o mundo das idéias fervilhando de pensamentos impuros/profanos, para que no mundo real eu possa embebedar-me e deleitar com sua presença fantasma.

Os acordes musicais, de agora, também denuncia a lembrança de um filme. Jorrei em letras o meu êxtase. Minha insanidade me faz dançar a três: música, luxúria e letras.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

À Deriva no Trigésimo Segundo Inverno

Há tempos não escrevo... Talvez por medo de me encarar nas palavras, talvez por estar tão esgotado que nem isso cabia mais em mim. Mas hoje, após um dia silenciosamente barulhento, senti a necessidade. A urgência de vomitar em letras tudo aquilo que me afoga.

Completei meu trigésimo segundo ciclo de existência. Trinta e dois anos… à deriva.

Não sei quando exatamente a vida perdeu o gosto, nem quando os dias começaram a parecer tão iguais, tão cinzas. Só sei que estou exausto da mesmice. De uma rotina que não pulsa, que não vibra, que apenas repete o ato de sobreviver. Às vezes, penso que talvez essa vida nem valha tanto a pena assim.

E me pergunto:
Por que tudo parece tão ruim, mesmo quando há coisas simples acontecendo?
Por que já não sei sorrir com pouco?
Por que meu coração ainda insiste em sonhar com dias de ouro, mesmo sem saber o caminho até lá?

A verdade é que não faço ideia de como chegar nesse “lá”. Nesse futuro onde as coisas fazem sentido. Onde há amor em volta, leveza nos detalhes, paz no peito. Um futuro que, hoje, parece miragem no deserto — belo, mas inalcançável. Uma ilusão bonita demais pra ser real.

E que droga… dói admitir isso.

Mas no meio desse naufrágio interno, há uma pequena luz.
Ela tem apenas seis anos e carrega nos olhos a única cor que ainda ilumina meus dias.
Minha filha.
Minha pequena razão de ainda estar aqui.

Ela é a única alegria que pulsa firme no meu peito. O único laço que ainda me prende à Terra quando tudo em mim quer desaparecer.

A vida que eu gostaria...
É feita de coisas boas, momentos bons e pessoas boas.
Mas, pensando bem, talvez ela precise ser feita primeiro de coragem.
A coragem de continuar mesmo sem saber o destino.
De tentar mesmo exausto.
De criar sentido onde só há silêncio.

E talvez — só talvez — essa tão desejada energia, esse futuro dourado, comece com o simples ato de não desistir de agora.
De acreditar que algo bom ainda pode nascer mesmo de um terreno devastado.

Porque mesmo à deriva, ainda há mar.
E enquanto houver mar, ainda posso remar.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Não, há luz no fim do túnel!


"Em busca de um lar, minha alma antiga clama por um refúgio de luz. Deixei para trás a casa que um dia foi meu abrigo, agora apenas uma lembrança nostalgicamente macabra. A saudade dói, mas é um lembrete de que o coração ainda bate.

Refletindo sobre a eternidade, percebo que a morte é uma ilusão. Nossa essência transcende essa existência efêmera. Somos estrelas que brilham por um instante, mas nosso brilho permanece.

Mas, aqui e agora, sinto-me ferido. Minhas asas, quebradas. A priori, ninguém compreende meu doloroso voo. Busco um ombro amigo para chorar, um sorriso genuíno para me confortar. E saiba que estou de pronto, se me precisar.

Sorte minha por te encontrar. Sorte nossa por nos encontrarmos e compartilharmos nossas vulnerabilidades. Nessa conexão, encontrei um lar temporário. Juntos, podemos consertar nossas asas, e no próximo vôo estarmos acompanhados.

Lembre-se, tu não estás só. Todos temos nossas sombras e luzes. Não se culpe por questionar, duvidar e sentir-se perdido. Você é livre para pensar, sentir e existir. A vida é pra ser vivida, e não uma ameaça D'Ele nos condenar.

"E mesmo nas noites mais escuras, há uma centelha de esperança. Uma chama que arde dentro de nós, nos impulsionando para frente. Não desista. Você é forte, capaz e amado." Parecendo um conto encantado...

Acredite em si mesmo, em sua resiliência e em sua capacidade de superar. E quando precisar, lembre-se: você não está sozinho. Há mãos estendidas, corações abertos e almas que compreendem. Estamos a um bater de asas de se encontrar.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Entre Escuridão e o Desejo de Um Verdadeiro Lar

Externalizar as ideias é como organizar a casa mental. É um exercício de ordenação que, curiosamente, me leva a um lugar que não posso mais chamar de meu. Agora, a casa é um símbolo distante de algo que olho com um misto de nostalgia macabra e um desejo não satisfeito. Procuro um lar verdadeiro. Minha alma antiga anseia por um espaço de luz onde possa finalmente encontrar seu lugar.


Recentemente, tenho estado reflexivo, pensando na eternidade. Esta sugere que a morte é uma mentira, pois nosso ser transcende essa poeira estelar. Se você me lê há tempos, sabe que a existência é um assunto delicado para mim. Não quero acreditar que seja em vão essa estada aqui, e cada minuto que passa mais me agonizo pela falta de propósito.


O não pertencimento e os porquês da minha rejeição no seio familiar e enquanto homem na sociedade são motivos que me fazem questionar o senso de realidade. Nunca havia me visto à margem da sociedade pelo simples fato de ser negro. Engraçado o potencial preso entre paredes, justo quando brancos acham que ser preto está na moda... Curioso.


Assim como as mariposas, sigo em direção à luz, apenas para descobrir que estou esbaforido de antenas queimadas. O brilho das lâmpadas, que prometia tanto, é o mesmo que me queimou. Minhas asas danificadas são um testemunho da minha busca incessante por algo que me faça sentir realmente em casa. E o pior? Ninguém parece compreender o que realmente está acontecendo aqui.


Vivemos em uma era onde a partilha e a corrente do bem parecem ser apenas slogans vazios, quando, na verdade, podem ser os pequenos gestos que alimentam a nossa busca por sentido e pertencimento. A solidariedade e a empatia têm o poder de transformar não apenas nossas vidas, mas também a de outros, proporcionando a conexão que todos ansiamos. A corrente do bem pode ser o catalisador para uma metamorfose verdadeira, onde cada gesto conta e cada contribuição ajuda a criar um espaço de compreensão e apoio.


Assim, convido você a fazer parte dessa metamorfose. Juntos, podemos transformar o caos em ordem e a busca solitária em um caminho compartilhado. Seja nesta vida ou espiritualmente, sua participação pode ser a luz que guia uma mariposa em sua jornada de reencontro com um lar. Sua ação, por menor que pareça, pode ser a centelha que ajuda a iluminar o caminho para aqueles que ainda procuram seu lugar de pertencimento.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Escravo / Agiota do séc. XXI

Venha que preciso te alertar sobre o real motivo de estarmos aqui. Vários vieram antes de mim, e é possível que após Ele me dar cabo, terão outros rebelados desejosos de se fazer ouvir. A linha ténue entre a imaginação e a realidade se contorcem nessa espiral que chamamos de tempo linear. A sanidade e o lápso temporal me permite flutuar nos dois mundos, e me pergunto se tudo que é sublime de fato é sujo se olharmos a miude!? Veja bem, contemplando o todo, minhas linhas estão longe de derivar do absurdo.

Estar caminhando sobre o muro que divide à idéia do real equivale aos limites de uma mente sem trauma para outrora senil. É visto o mesmo entre o Negro e o Solimões, a grosso modo, a água e o óleo: encontram-se, mas não se unem. Como saber onde termina um e inicia o segundo? E o rio segue seu curso, a brisa verga as folhas, a vida continua e tu ignorando os absurdos. Me diz, porque você continua experimentando sua vida da maneira que lhe influenciam e ditam?

O sistema nos traga no primeiro quarto de hora caso seu soldo acabe. Seu bolso estando furado ou sendo sua alma praticante de uma caridade exacerbada. É subjetivo! O que importa na 'corrida dos ratos' é o verbo ter,  e os detentores de uma cadeira na mesa irão te matar caso você queira ser. "As pessoas querem que você seja quem elas pensam que você é" uma vez que você interrompe o ciclo no qual elas estão inseridas, você não é mais uma mente sã, tudo é fruto da sua imaginação, mera fuga da realidade... Te convido a sair do "real", olhe pra si e enxergue seu ego, ou devo dizer - teu lado mau.

Em atividades outdoor alguns conseguem vislumbrar a sutileza das cores fragmentadas em instantes. Sorte ou azar as retinas capturar com tanta nitidez? Ao passo que contemplo a perfeição em natura, sou obrigado a tomar conhecimento da crosta de poeira que surge em tudo ao passar do tempo. É sabido que não existe bônus sem o ónus, e a perfeição está aquém da humanidade. É preciso mais quantos séculos para que se entenda o quão ingénuos estamos sendo, na busca de construir muralhas com os tijolo que arrancamos das pontes.

Arrogante, presunçoso, oportunista, prepotente, esperançoso e até louco. Adjetivos direcionados a esse velho e pobre negro, por apenas tentar te alertar sobre a cegueira. Poderia ser coeso como Saramago e te apresentar o 'ensaio sobre cegueira'... Besteria minha! Não devo me preocupar, é só o eco de vocês tentando me rotular por não mais conseguir acompanhar meu raciocínio. Destino ou livre-arbitrio? Independente disso lembre-se, seja luz porque tudo provém do absurso.

domingo, 30 de outubro de 2022

Mago Negro

 O preconceito está enraigado nas entranhas da sociedade. A espinha dorsal da violências parte da intolerância! Não tem como falar de "pré-conceitos", certezas e fanatismo sem que nos remetamos às religiões. Como um distinto mago negro ouso-me a me colocar em todos os lugares. Portanto respeito a universalidade de credos, ritos, seitas e convicções.

A Justiça proviniente do rei do trovão, equivale aos meus anseios pessoais. As leis do homem não se aplicam aos filhos do rei, quiça do rei dos reis. Tornam-se mero burburinho fervilhando nas adjacências do meu ser.

De acordo com o estruturalismo, a divindade ou a negação dela, é a mesma coisa! A rainha dos ventos e dos sete céus, também nomeada como Heyhoan por alguns, esquadinha os quatro cantos do multiverso e dos mundos "Inabitados". Epa Heyi Oia!

Embora 'Paganini' me ajude com esse desfecho, foram os pontos de 'Os Tincoãs' que bailaram nos altos falantes, enquanto meus dedos serpenteavam nessas linhas, e a mãe Iansã com seus pontos e giras. As máximas do espiritismo são: "Amai-vos!" e "Instruir-vos!". Te convido a dançar comigo enquanto transendemos o conceito de "conciência" da espécie humana.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Três atos

Assim como meu humor constantemente oscila entre a euforia e a melancolia (em suas extremidades) minha mente segue os mesmos passos, porém do futuro ao passado - como um pêndulo, nunca volta com cem por cento de precisão.


Me pergunto se existe um ponto central nesses espectros. Lugar onde esteja em equilíbrio, não mais nas pontas das espirais. Sera?


Tão pouco aprecio um espaço contemplativo. Talvez o maior paradoxo de todos seja ser como a ideia de um Deus (deve ser horrível ser Ele), fora e dentro "oniscientemente", apenas passivo a tudo. E sozinho. 


...


Cá estou, outra vez divagando/intrigado com o conceito de perfeição.

sábado, 6 de março de 2021

Café com leite

O embrulho no estômago, as borboletas que hora o outra me sobem a garganta, a torrente de pensamentos onde no fim de todo labirinto ainda me pego pensando. A pupila delata e a boca salivando como um predador nos arranjos teatrais para capturar sua presa, é que gosto metálico de sangue me é bem quisto.

O café mineiro novamente somado ao leite de SP, e nem estamos mais na era dos coronéis. Dos pés aos olhos e esse sorriso na boca, a voz rouca, as paredes que confidenciam os sussurros e gemidos além de nossas juras febris. Não se iluda com contexto histórico ou político, o tempo não regride e aqui a história é outra, e eu já lhe deixei pistas o suficiente para entender do que se trata.

Eu me acho incrível quando me olha, pois quando faz parece me enxergar além do que eu vejo. Aquele clichê do "me faz querer ser melhor" já quase posso entender. Ela sorri e acalma todos os meus demônios. E na calmaria da superfície que antes secretava a inquietude das profundezas, contemplo meu reflexo risonho, mas não por estética pois disso aí morreu Narciso.

As fissuras nas frestas antes denunciavam a imperfeição, agora começaram a ranger e se apertam invejosos. Os céus, as estrelas exuberantes que ontem dançavam com Bethoveen ao som da 5° sinfonia, hoje me basta ouvir 'Amor e fé' descendo a serra, iluminado por minha lua.

A incerteza ainda existe mas agora tem nome, o tempo inteiro estou faminto. A cada caça, a cada cervo, aprendo que não são punhaladas vãs, isso é só o enredo, pois ainda tenho fome. Incisão cirúrgica e acabou a agonia, uma lâmina e chega o fim do tormento, quando e se necessário me abstenho.

Quando acordado eu sonho em te possuir, quando dormindo sorriso ao sono. Ela fala coisas em meus ouvidos que abafa as outras vozes, até os dizeres mais ardentes me convidando a fantasiar crimes hediondos... Como já dito, só Chopin e ela conseguem acalmar meus demônios.

Estamos nos embreando para uma floresta densa, negra e desconhecida onde só um de nós conhece a trilha. O desejo latente suprido de forma diferente, no meio do nada ninguém me interrompe. Já disse - tenho fome. Então se deite porque você será meu banquete.

A confusão é você quem cria. Se atenha a real intensão dessas linhas! 'Inédita Pamonha' é o bastante para fazer menção ao autor da frase a seguir: "A felicidade é a pretensão ilusória de converter um instante de alegria em eternidade". Hoje me torno hipócrita e retiro as críticas de tais sonhadores dos quais tornei parte.


terça-feira, 25 de agosto de 2020

Tentando Filosofar - Parte 02

 A necessidade de escrever, a inspiração e o interlocutor sempre se confrontam. Reflexões, conclusões e a desconstrução de paradigmas são comuns aos Sapiens Sapiens. Tempo vergonhoso ou talvez preocupante para admitir minha participação e contribuição à espécie. Basta observar o rumo de nossas conquistas e avanços, equiparados aos  desacertos e regressos que experiências a cada ano, daí tentar calcular os numerosos benefícios ou danos para gente enquanto espécie. Há otimistas, em suas linhas positivistas, que encontrarão incontáveis motivos para continuar... Embora reconheça e semeie que devemos adotar meios "já conhecidos" e menos nocivos a natureza e a nós mesmos. No entanto, detestam a ideia de um Cosmos sem humanos e acredita que ainda podemos tomar jeito. Na outra ponta do espectro, pessimistas, onde o caos evidente está sempre em foco. O ser humano é a raiz de todo o mal existente, e suas pouquíssimas boas ações ou estão nas costas de outras horrendas, ou tem enrustido um mal por vir. Avanços e conquistas? Meros frutos do ego - seja "centrismo" ou "ismo". E claro, existe o meio desta balança. Pessoas amenas, medíocres e que não tem cheiro nem cor. Preocupados com trivialidades cotidianas resolvem não perder tempo com as causas maiores, esquecem que deixar de escolher é também um ato de escolha. São pessoas sem graça, só querem levar suas vidinhas medianas. O governo só existe para estas quando interferem no futebol, carnaval e outros eventos tão fugazes quanto, ou quando é cortado (algo inadmissível) alguma esmola governamentais, restringir algum "direito", proibir algo que seja frequentemente utilizado como fuga do real. Daria para listar tantos outros, mas daí cairia na ideia relatada no romance 'Turtles All The Way Down', os porquês e origens nunca tem fins ou um fundo sólido... "O que tem debaixo do elefante? - Uma tartaruga imensa. - E essa tartaruga está em cima de quê? - Em cima do casco de outra tartaruga ainda maior..." Ou seja, tudo não passa de uma epistemologia. Desceu do ônibus agora?! Então, seja bem vindo ao século XXI, Era de narcisos, depressivos, egoístas, influencers, regidos por títulos,  inteligentinhos dentro de suas bolhas sociais, Era do cancelamento e seus discursos: "Cancela! Cancela! Cancela! Mas só do outro lado hein time. Cuidado! Se escondam bem, não os deixe enxergar nosso telhado de vidro." Tempo em que a distribuição de cotas no âmbito social é o discurso de elitistas burgueses para serem cool, ou quando a frase "eu tenho um amigo preto" os transformam em humanos politicamente corretos arrotando e cagando regras. O antropocentrismo ainda é o ápice de nossa crença, só não dá para afirmar que seja algo benéfico, ao menos antes tínhamos as divindades para tirar o peso do nosso preconceito do colo. Podíamos ser mais sinceros, a culpa não era nossa... Os deuses sabiam dos porquês das coisas. O amiguinho (a) gosta de alguém do mesmo sexo? Se identifica e se adorna de acessórios e trejeitos que até então era usado somente pelos sexo biológico oposto? Tem hoje a liberdade de escolher seu gênero? A mulher ganhou notoriedade aqui e superioridade acolá diante a sociedade?  Está ganhando espaço e voz? A mulher negra passou a militar mais para que o holofote também a ilumine? Já se perguntou o porquê dessa luta diária contra as supremacias, tantas outras perguntas? É o curso da história meu amigo (a), estamos na Era da Informação e só não apreende, conscientiza e se desconstrói todos os dias quem não quer. É a história sendo escrita, você pode fazer parte ou existir como um mero número na estatística.  Inacreditável é que a maioria não quer, é preferível se entorpecer com qualquer merda do que despertar sua consciência, em todos sentidos da palavra. Mas se for para existir às custas dos outros, de características alheias, então se abstenha e nos poupe seus pré-conceitos estereotipados. Sempre me senti enfurecido por perceber a matrix em que vivemos. Ter ciência que estamos alienados e condicionados, coisa que nos fazem produzir comportamentos contraditórios à nossa essência, como o simples fato de procurarmos por entretenimento o tempo todo, ou nos entulhar de tarefas. Até então entendia isso como uma forma de fugir de nossa insignificância e do vazio que compartilhamos, e você como meu leitor conseguirá lembrar de várias vezes em que bradei aos quatro cantos (puto) por parecer estar sozinho ou entre poucos que conseguem enxergar e admitir tal fato. Porém hoje, através de um TV show e estudos a uma linha filosófica relacionada, deveras interessante, consegui entender do que de fato escondemos e gostaria de compartilhar e dialogar contigo, se tiver interesse. Estamos sempre nos ocupando, nos posicionando e nos transformando ao longo da vida, mudando de ideias, tentando desconstruir os dogmas e paradigmas que nos foram impressos até nossa fase de entendimento e com um único intuito que é nos distanciarmos do fato que tudo em nosso mundo surge e desaparece, o que inclui também os humanos. Tentamos tirar da cabeça, a todo instante que iremos morrer, assim como nossos entes queridos, além de todo o resto existente hoje, logo não estarão mais aqui. Teríamos de passar toda nossa infância, nosso período de absolvição, junto aos Estoicos ou Nietzsche e seus ensinamentos sobre o 'amor fati' para que fosse algo diferente disso. Digo, para que aprendêssemos a conviver, pois não há conhecimento, religião, filosofia, ideologia no mundo que mudará o fato que estamos fadados a perecer e cair nos esquecimento. E se analisarmos a métrica de nossa existência iremos, a contra gosto, perceber que cada um de nós somos como as estrelas: nascemos e morremos, e por mais intenso que tenha sido esse período, foi breve, um sopro, comparado a escala do tempo. Outra similaridade é que a maioria de nós só teremos nosso brilho contemplado após não mais existirmos, essa que talvez seja a única forma de protelar por mais alguns débeis anos a tua luz.  O que nos leva a conclusão que precisamos ser mais realistas. Procurar enxergar nossa condição diante a realidade e aprender todos os dias a encarar a vida como ela é. Meu conselho é medite e aceite, se aceite, como parte do Universo infinito rumo ao abismo do nada. Pois o destino está logo ali: escuro, gelado e vazio. Faça esse exercício, seja sincero consigo, pode ser que te ajude a conseguir uma conexão com seu presente. Creio que era o que os propagandistas do termo 'Carpe Diem' queriam dizer quando lhe diziam que você só tem o agora, que só isso é o que existe e importa. A contemporaneidade e o valor pop do termo foi distorcido, e aquelas pessoas mornas o tendo destoado adotam para argumentar e explicar o porquê de terem hábitos tão fúteis.  Um jeito indecente de permear sua ignorância, ou covardia por não ser capaz de enfrentar a realidade nua e crua. Digo isso açoitando as minhas próprias costas, recordando de um passado recente. Não tenho vergonha alguma, afinal me contradigo porque sou vasto.

domingo, 9 de agosto de 2020

Deuses Ateus

Uma autobiografia é um olhar através da janela do tempo, que só pode ser contada em um futuro, que se torna presente a cada letra que exprimo. Não usarei mais esse texto para insultá-los. Ao menos não é o meu propósito aqui. É que... é árduo, tu sabes, sou aquele crítico amargo e que adora escrever frases desconexas que com o tino certo tu encontras nexo e me detesta. É nítido que sempre amei a liberdade que encontro em meus textos, quase posso dizer o que quero - se não fosse a hipocrisia universal em que a bolha "humanoide" se permeia.


A idéia é todos os dias construir degraus para que minha filha esteja sempre olhando pra cima no intuito de me alcançar. Ela é uma deusa atéia, assim como eu, pois em algum momento se questionará e é inevitável duvidar de si. Fora após uma epifania como essa que uma deusa grega passou por metamorfoses e só então sentou-se à direita de Zeus no alto Olímpio. Antenas ligadas para compreender essa fala, Atenas não mais fala, ela grita! E você ainda permanece inerte pela vida. 


A consistência é algo que sempre busquei, tenho problema com isso, as pessoas notam: uma hora aqui outra acolá, e no fundo me sentido como se em areia movediça, quanto mais me mexo, mais me afundo e acabo tendo que lamber minhas próprias feridas dentro desse rio sujo. No fundo só encontro mais do mesmo, entulho em cima de entulho, uma confusão sem igual, sempre falta algo. Eu nunca caibo em nenhum lugar.


Uma nova posição no empregos, uma nova graduação, uma nova especialização, séries/filmes, pílulas, drogas, bebidas, comidas, lugares, paixões, amores e etc.. São tudo um monte do mesmo! Estar ocupado 18/24 e fingir que estamos conscientes enquanto nosso tempo, ou melhor, nossa vida se esvai pelas frestas de nossos dedos. E a ratoeira perdeu o significado de medo.


 Como disse em outra conversa, tenho enxergado como o Universo (ou o que seja), tem sempre conspirando ao meu favor. Tem horas que não são eventos compreensíveis, no entanto são esses que de alguma forma desencadeiam momentos que posteriormente me fazem feliz. Sorte/acaso não conseguem definir a magnitude disso. E uma vez visto o zoom out tu podes compreender o quê digo. Exagero? É a definição que tem mais me abrasado, consumido e agradado. Só quero se for exagero. Quero tudo, se acostume! Pois nasci pra ser inteiro.


Uma autobiografia tem o intuito de aproximar o autor do interlocutor, e não vou findar esse texto sem lhe dá esse sabor. Prometi desde o iniciar e não terei pudor... Melhor! Siga-me e compreenderá: as palavras são para a comunicação dos "homens civilizados", no entanto, mesmo com milhares de idiomas, incontáveis alfabetos, inimagináveis letras, ainda sim não tem autonomia para descrever uma sensação. Eis que ainda sim você é mais um que ousa perguntar, quem é você Jean? Que por minha vez respondo no meio da cacofonia aqui dentro: "legião, porque somos muitos".




domingo, 19 de julho de 2020

Menção Honrosa

Diz você que meu melhor ângulo é capturado por suas retinas. A sina que me fascina sempre foi a pira de você me querer em sua vida. Tu foi, é, e será motivo para meus textos por longa data. Esse laço transcende e acende essa chama todas as vezes que você me chamava de querido ou algo do gênero. Tu não tá entendendo, você é meu mantra, minha mente é tua quando está chovendo, quando o vento canta ou será que está gemendo?


Tudo daquela noite está eternizado em minha memória, graças às minhas retinas: o sorriso acanhado quando me abriu o portão. Seu babydoll marrom escuro que evidenciava suas curvas. Seu cheiro de banho recém tomado, sua pele macia e aquela saudade/urgência que continha em seu abraço. O olhar alegre manchado pela luxúria do que estava por vir. O cardápio que escolheu e fez para nós (como não se sentir honrado?), e eu só conseguia pensar: cara o que eu tô fazendo aqui?! Me sentindo impuro, um pecador. Era tudo errado e tão certo ao mesmo tempo, sei que também viveu esse dilema por muito tempo. 


A casa era nossa, portanto ficamos de prosa, você estava toda carinhosa... A tempos eu lhe devo essa menção honrosa. Poderia citar e descrever cada instante daquela noite, desde que cheguei, quando comemos, quando despistamos com o primeiro episódio de uma série, quando nos comemos, e quando escrevemos e depois nos lemos. A programação fora perfeita para excêntricos com nossa estranhesa. 


A gente não gosta apenas da superfície, queríamos mergulhar naquele rio turvo e nos afogar junto ao dilúvio. Impuro, imundo e burro me senti depois de conhecer seu mundo. O lugar todo através de sua ótica me tirava de órbita, mas não era só o planeta que saia do eixo, foi à Via Láctea inteira que você sacudiu as cordas. A destreza que tinha em andar naquela linha me fez saber que tu foi feita para estar em minha vida. 


De um lado o poço viscoso da melancolia, do outro a simplicidade genuína da alegria. Ninguém entende, a gente entende. Um e dois a favor, o resto contra só para causar dissabor. É algo singular creio que deu para imaginar... Falo para vocês que nunca irão experienciar estar lá! Foram momentos imaculados, e num futuro isso bem que podia retornar, nem que seja em sonho, para não correr risco da minha lembrança faltar. Se um dia falhar, lhe endereço este para que não tenha dificuldades em me lembrar.


Tudo está impresso aqui, você conquistou esse lugar: as marcas, o cheiro, a roupa que eu quis rasgar (me impedia te apreciar), a transa no sofá, todo o tempo que estivemos lá (seria profano se eu falar?). O tempo é linear então não tem como e porque apagar. Como se uma pinta de coração pudesse também pulsar. Escrevi para que, assim como eu, visite tais lembranças pausadamente e que possa entender que de perto ou longe, quando e como o destino marcou a gente.



sábado, 20 de junho de 2020

Ensaio sobre o vírus do século

Uma noite dessas eu tive um sonho. Imaginem. Permita que eu te guie através dele, o sonho é meu, então me sinta. É desesperador, eu sei! Mas isso é o que grita aqui dentro de mim neste momento...
Imagine o mundo com um problema insolúvel! Imaginou? Pois bem, então vem comigo;

 Este mundo tem diversos países, cada qual com suas respectivas jurisdições. Tratados estabelecidos com os países vizinhos. Civilizações únicas em cada país. Um "mix" de cultura e tradições em cada qual, que foram surgindo com o desenrolar dos milênios. Os seres que habitam ali, foram evoluindo assim como à cultura, política, comunicação, tecnologias, ciência, tradições, filosofias e etc...

Em um dado momento surge um problema insolúvel. A moeda de troca deles (equivalente ao nosso dinheiro) acarreta em uma série de problemas em diversos graus e esferas, o quê afeta incisivamente à vida daqueles seres coletivamente. O ecossistema daquele planeta começa a ter um desequilíbrio notório (não dá mais para esconder o fato). Não há "dinheiro o suficiente" para todos (e não me refiro a "classes sociais", isso é outro assunto) a questão é parecida com a que o Brasil sofre no século XXI com seus problemas previdenciários.

Há deficiência política em todo esse planeta, cada qual com suas particularidades, mas todos em torno do "dinheiro". De uma forma ou de outra, os problemas se remetiam ao tal "dinheiro". Você deve estar se perguntando... Uai, então... Por que não extinguir/acabar com essa tal moeda de troca? E sinto em lhes informar que, essa moeda de troca deles é tão importante como a nossa, por isso está fora de cogitação.

Recordem que mencionei o avanço da ciência! Dentro da sua vasta ramificação encontramos algo similar a nossa biologia. Dentro da biologia encontramos algo similar a nossa biomedicina. Dentro da biomedicina à farmacologia. E onde há ciência, há laboratórios.
Tu deve estar pensando: está bem, já entendi que o mundo é parecido com o que vivemos; e o que tem tudo isso a ver com teu sonho? E já lhe explico!

Os avanços não deixam de acontecer. Foi estabelecido à paz na maior parte desse mundo. Perceberam, igualmente aos humanos, que não valia à pena às guerras, passando a resolver tudo no diálogo e acordos. Mas o "elefante rosa" estava lá! Como solucionar o mal necessário? Mencionei que os human... OPS! Os seres estavam em ascensão? Pois bem... Como toda espécie em evolução, uma hora se dá à "inflação populacional" e naquele planeta não foi diferente. E todo o esférico estava ficando lotado de tais seres.

Eis que surge um herói!
O quê? ...Ahh para! Todo mundo gosta de heróis... Só escuta tá?! O sonho é meu afinal. Em um dos países surge o tal heroi. Seu super poder? Uma inteligência aguçada... E ele como um bom inteligente, conforme o script, é um cientista que resolve corrigir boa parte do erro com uma invenção ultra-revolucionária. No entanto, tinha que ser feito em segredo pois violava alguns códigos, acordos e tratados já estabelecidos.
Este percebeu que não era só à espécie que estava crescendo exponencialmente, mas também o número de seres mais antigos. E resoluto entrou em seu laboratório, com o intuito de só sair de lá quando solucionasse aqueles problemas.

Moeda de troca, um mal necessário. Problemas climáticos do globo.
Espécie em ascensão.
Antigos causando problemas previdenciários.
Ciência evoluindo desenfreadamente.
Outros inúmeros problemas...
Informação na velocidade da luz...
Eeeeee puft!
Daí alguém acendeu a luz do meu quarto e eu acordei. Foi confuso, eu sei, porém achei um tanto quanto bizarro e queria tua opinião a respeito.

Porque em uma noite dessas eu tive um sonho. Imaginem. Permita que eu te guie através dele, o sonho é meu, então me sinta. É desesperador, eu sei! Mas isso é o que grita aqui dentro de mim neste momento...
Imagine o mundo com um problema insolúvel! Imaginou? Pois bem, então vem comigo.

Só o que peço

Me retirei para ler um pouco poderia dizer 'ler pouco' esta seria a exatidão de minha vergonhosa leitura, jogar xadrez ainda faço as vezes, compreender meu novo eu ainda desejoso de não sê-lo, desnorteado e irritado com o desemprego empenhado como alpinista ao subir uma montanha porém faço agarrado ao hipocampo temeroso de me tornar insano, e ao contemplar o iniciar de minha única querida obra, leia querida de forma ampla é que me expresso a seguir:

Nada mais me espanta. Do que adianta lastimar para o Universo vazio, ou para qualquer um deles. O marco zero dessa trama será, foi e é o mesmo. Se há algo regente dessas cordas, não creio que se importe, de praxe vemos o emaranhado diante o gato, e esse "tapado" nem se quer se dá ao trabalho de desenrolar. Como meus pensamentos, não são para que entendas, a menos que o seja.

Tive que me afastar de alguém. Tive que viver aquém.
Tive que privar me de ser.
Tive que me acostumar com a falta de você.
Tive que esperar.
Tive que espantar o azar.
Estou tendo que sofrer, os dois amores não podem viver. Azar!
Tive que te ver dizer, dizeres de desprazer (é, ver... Hoje, 75% das informações que adquirimos é através de mensagem seja qual for sua via de acesso)
Tive que deixar você ir, sem saber se irei voltar a te ver/ter. Sonho em lhe ter.

De volta a arte, te vejo por toda parte. Picos e vales são reais! O tempo passado nos picos irreais, como pode passar tão depressa esses desleais? Sei que se lembrará de mim, mesmo que indigesta, você disse coisas nas quais não queria ter parte, em partes te entendo, em partes me estendo pensando naquele tempo, mesmo o seguinte que passou por um breve tempo.

Escrevo na esperança que leia, nas esperança que ainda me leia. Não me deixa aproximar, sei que, por enquanto, é melhor deixar estar, por isso não me atrevi te procurar. Contudo, vem a calhar lhe escrever para te lembrar o que te fiz passar, seja agora ou na biblioteca, após estudar.

Escrevi este ao som de Chopin, deve ser o sexto concerto dele que escuto copiosamente, inerte, nem para digitar ele se mexe... Não parece respirar... Tomo em mãos e tiro-lhe a temperatura ou um pulso... Ele está surdo, inerte, que horror, que absurdo... Seguro em meus braços este cão cansado, amargurado e chapado. Remédios e etanol, de novo, dançando Chopin debaixo dos lençóis. Por mil rouxinóis, me perdoe pequena.

Não publicara antes pois estava incompleto, e ainda sonho em lhe ver de perto mesmo estando longe, ilhado ou no deserto. Me retirei para aprender, para ver a obra que pari. Xadrez? Ainda pratico-o, hoje é meu velho vício. Desnorteado, chateado, irritado e mal-humorado, mas agora tenho novas, estou empregado. Como percebe ainda escrevo e desejo que me leia, me veja através da tela, dançando em um trampolim. Não tem água na piscina, mas toca Chopin e eu danço mesmo assim. A montanha agora é de lamentos murmúrios, me sinto sujo pois quase não leio quanto antes. Mas minha obra quer ser lida, linda, ditosa assim.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Um norte

Sorte
Estava sem sorte
Não entendia à sorte
Fiquei distante, sorte

Encontrei sorte
Escutei e respirei forte
À Muller, Ahh Muller...
Quem dera eu ter tal sorte

Me derreta com tua 'Sorte'
Ana, sua música apontou-me um norte
Eu, aquele velho sem sorte
Desejo-lhe sorte!

Não creio eu, mas que você
Tenha a tão sonhada sorte
Não por posse: amor
Puts, que sorte!

No mundo de hoje, por sorte
Isso sim é ter sorte
Amor
Sorte
...
E então morte.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

From Old Rock to Sad Songs

Me diz, o porquê de suas queixas
Me disse não ter queixas
Pergunto, por que então tu me deixas?
Conforto a mim mesmo, dever haver queixas

O amor vicia
O bonito vicia 
O gostoso vicia
Cuidado, à tristeza vicia

Situação complicada, eu e você
mãos atadas, muito na jogada
Fugir? Deixar alguém? Deixar passar?
Voltar atrás? A corda alterou, não dá

Faz um bom tempo, estou estirado
Luto por forças, pranto escancarado 
Não pode ver, não com meu sorriso estampado
Faz um bom tempo, tempo magoado

Sad songs, muitas interpretações
Causas diversas
Coisas controvérsias 
Todas lamúrias, alívio de pressões

Amor
Angústia
Arte
Amantes

Não sair do lugar, não conseguir se expressar
Você até tenta, não consigo passar
Você sofre, eu sofro
Solidão compartilhada, singular para enxergar

Me acertou esse míssil, me consome esse vício 
Old rock, não escondemos os indícios
Era para ser aventura, nossa travessura
Cúmplices de uma loucura, luxúria 

Precisávamos, ansceavamos
Nos damos, nos enxergamos
Te dei, você se doou 
Te mostrei, você se mostrou

O amor vicia
O bonito vicia 
O gostoso vicia
Cuidado, à tristeza vicia

Me disse: não me deixe...
Não era justo, deixei!
Me cutucou, agora tu me deixas
Entendo, o que não impede que me queixe

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Escute criança

Quando era criança, quando comecei a entender o mundo, quando achava conhecer tudo, proferi alguns absurdos. Chás, cafés, viagens, cigarros, cervejas, livros, filmes, estudos, patrimônios, relacionamentos e toda cachaça em vidros caros. Não entendia os mais velhos, tanto para viver e tão pouco porquê ser.



Do prisma de uma criança, muita coisa não faz sentido. É tenso ouvir relatos de sua avó, mãe e pai falando de seus filhos, dizendo que estão perdidos. "Fulano e ciclano só querem saber de beber e fumar, igual loucos..." O que aumenta, cada vez mais, as perguntas na cabeça do pobre menino: "O que é não está perdido, como encontro o quê os demais acharam?".



É um absurdo adultos almejarem ter filhos. Quando "acontece", dado pelas necessidades físicas, já é uma desgraça. Quando planejam, inteligentinhos e "estruturados", catástrofe. Vícios, hábitos e costumes, não importa, só maneiras de se embreagar e suportar outro dia, e mais três doses de qualquer entretenimento no intuito de não perceber à noite. Covardia é achar que trasfere-se o vazio para o novo no mundo. Poder aquisitivo elimina certas noites as claras, o que não diminui são as respostas vagas quando os baixutinhos se dão conta da furada.



Desconsidere a classe social. Qualquer  um irá esconder sua ignorância e se esconder atrás de teorias, seja elas científicas ou místicas (dispenso vertentes), tudo lorota para entreter e você, criança, se perder diante tantas invensões humanas. Outros perdidos, tanto quanto seus mentores e guardiões.



A ideia é escolher qual merda quer abusar e se embreagar enquanto espera a vida passar, desejando fortemente que não haja outro estágio depois que este findar. Ou pode fingir que compreendeu o sentido, se comportar como um cretino e apontar o dedo para os outros envoltos em seus vícios. O primeiro, se todos se aprofundarem no grande vazio de si mesmos, logo chegará ao fim dessa proliferação desenfreada. Segundo, o que tens visto até hoje, é escolher o seu "kit fantasioso" e ter esperança que seus filhos não sejam tão odiosos quanto seus genitores.



Quem dera eu pudera dizer, após minhas morte, o que dissera Brás Cubas de Machadinho: "Não tive filhos, não trasmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria." Não tive a astúcia e lealdade comigo. No fim, me pus como o segundo tolo descrito, um hipócrita esperançoso. Não amaldiço-o meu fruto, esta é apenas um reflexo de minha parte burra, apesar de ser singular em sua ternura. Todavia não bendigo meu feito, mesmo trazendo algo belo e ingênuo, não mereço um só gracejo, mereço a forca ou o esquartejamento.



Há alguns séculos, pessoas eram esquartejadas, queimadas, apedrejadas e enforcardas por traição ou deshonra. Hoje, esquartejam o mundo das ideias, queimam a língua em rezas, apedrejam os desiguais e se enforcam a outras pessoas, se matando porque é o certo a se fazer. Porque assim o fizeram crer.



Abri várias portas. Falei, esperniei e expressei-me cansado e a fé morta. Criança é a origem, e o morimbudo destina-se o ser. O porquê de ser: um mito. Os absurdos? Repito. Quando era criança, quando tinha esperança, não entendia que no mundo viver e querer ser, eis aí, o verdadeiro absurdo.

sábado, 17 de novembro de 2018

O complemento




Como pode alguém perfeito errar tanto em criar algo que só lhe dá decepção? E tendo ainda o poder de mudar tudo, se esconde e somente observa a desgraça de todos. É abominável a ideia que Ele exista, me deixa triste e me afronta querer me fazer crer. Porém, como metanóia, devo ser justo ao verdadeiro Deus, sinônimo de perfeição.

Aflito e "espectoso", me abstive e tentei transparecer serenidade. Parecia estar no controle e ter passado por aquela ocasião um zilhão de vezes, como todos aqueles moços verdes, nos quais me percebi devaneando ao fitar os que à vista estavam. Deve ser honroso estar em seus lugares, pena que a frequência no fazer, a torna menos prazerosa e especial a cada dia. Tanto honroso como responsível, não preciso citar o árduo caminho até galgar finalmente o posto.

Médicos, enfermeiros e técnicos todos envolto de suas funções. Sei que peco em não ditar-lhes as especializações, no entanto é complicado que lembre tantos e mais desrespeitoso seria me atrever a esquecer algum. Fora crucial a Sheila Lara, xará da nossa, esperada e impaciente se tornando paciente, que estevesse presente e de uma voz terna me ajudar a acalmar a mãe, que vi duas ou três vezes caminhar pendente pela linha do equilíbrio. Enfermeira-obstetra, lembrar desta em específico é como andar de bicicleta.

Findou-se o trabalho, limpados e medicados, fomos deportados ao quarto ao lado, e após um dia soube-se a necessidade de mais alguns hospitalizados. Nasceu antes da hora, foi requerido supervisão e cuidados, mais um ou dois dias, por ora. Usei os intervalos para ler e escrever. Achei estar em uma boate, prostíbulo ou recebendo passe em uma casa espírita; A luz azul e a quietude do local, interrompida apenas por choros de RN's, me colocou em devaneios.

Quatro camas, quatro cantos, panos brancos, luz azul e um banheiro. Doze pessoas; quatro sob cuidados, quatro preocupados e quatro dormindo mas sempre supervisionados. Cada qual ali por suas particularidades. Uns problemáticos, outros sempre deitados, alguns levantam (acompanhantes) e nós, no primeiro leito do quarto. 

Havia um livro em meio aos meus, ganhei de um amigo meu. Iria jogar fora, achei um cúmulo naquela hora. Reividiquei aquela obra, capa dura, pura literatura e ainda por cima escrita por um brasuca. Aluísio Azevedo, xará de outro grande amigo meu. O carinho que tenho hoje por este estimado livro, me foi descoberto em um momento crucial, como percebe e aqui relato. Adorei conhecer a Dona Olímpia, Dr. Cesar, Palmira, Leandro e seus relatos. 

Por fim, após notáveis nove meses de descontentamento, apesar de não ter querido ter te tido, adorei que tenha aparecido. Quarenta e seis centímetros, "três e poucos quilos", me fez enxergar que as vezes, somente as vezes, algo desprevenido pode sofre uma alquimia e se tornar algo limpo. Não digo o mesmo do todo, ainda me mordo os lábios de ódio, porém te olho e analiso que, sem tudo isso não teria eu te conhecido.

Aluísio Azevedo, que também pairou sobre o leito de minha pequenina, usou das palavras da velha Olímpia para me apontar certos pontos furtivos, nos quais, não sabia apreciar e que com certeza é importante mencionar e memorá. E não encontro outra palavra mais adequada para expressar a perfeição desses passados dias, que não seja Deus. É a única (mantendo meu desdém pela divindade), que expressa o que sinto, em qual me inspiro e hoje exprimo aqui, minha singela e notável forma de contentamento. Entendi contrariado qual me faltava um complemento.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Deuses e seus prazeres

Dei a ela passe livre enquanto sozinha. Trato-a como rainha, a unica desnuda de seus julgamentos e lamúrias atuais. Vou contar um segredinho para que à entenda, e vê se após retirado esse teu vél de cegueira, não mais se perca em julgamentos pré-conceituosos, contemple sua ignorância, abstenha-se em sua insignificância e não mais a chame de rameira. Afinal das contas, a criei para estar comigo, emprestei-a para que alegre seu mundinho enfadonho, de sonhos.


Ela percebe os olhares maldosos à despindo, em cada esquina que dobra tem mais lobos famintos, nem se quer precisam sentir o cheiro do sexo feminino. Na mira de sujeitos sujos ela queima, como um pecador em frente ao próprio Lucifer após o julgamento. Ocasião diferenciada pela pele vermelha e a quentura em todo o seu ser, desencadeando uma pressão em sua vagina, salientando sua sensualidade, seu lado promíscua.



Umidecida, corpo quente, pensamentos inquietos, uma vontade enorme de se esfregar, queria ao menos tocar o inchaço que causam os olhos esbrugalhados. O "v" entre suas pernas clamam por uma atenção,  de novo se perde na escadaria do prédio, apoiando à porta com o pé, os sentidos aguçados tanto para cima quanto para baixo, já imaginou se alguém à pega nesse "mal hábito"? Quando pensa na possibilidade, fricciona os dedos sob o clitóris, até que a respiração fique entrecortada. Após o êxtase, se recompõe e retorna ao escritório, com o mesmo ar de recatada.



Ocorrência corriqueira mesmo em dias de modes. Lembro daquela vez que o ferro gélido da carteira (aquelas de faculdade) a fez pensar bobagem, estava no vermelho, mas não fora covarde. Convidou um carinha das aulas de enfermagem, surrupiou algumas camisinhas de sua mãe, dentro do estojo de maquiagem e  urrou de prazer quando Erick invadiu suas entranhas, no quartinho onde o zelador deixava os apetrechos da jardinagem.



A chama oriunda de seu sexo a deixa descontrolada, invoca sua querência de ser tocada. Não quer ser amada; Quer ser pegada, penetrada, arrastada, entortada, chupada, arremessada, devastada, invadida, deflorada. Não pensa em outra coisa  a não ser em reencontrar seu macho que tão e somente consegue fazê-la sentir-se devorada.



As cantadinhas baratas, os comentários obscenos, os assobios, os olhares  indiscretos, faz seu sexo arder de desejo, não demonstra no momento, mas se acaba no chuveiro quando lembra desde o porteiro ao arquiteto. Quando na frente do seu homem, insinuosa deixa-o sentir o seu líquido que escorre entre as pernas, força sua cabeça para que à chupe sem pressa.



A necessidade dela vai além de ser desejada. Não quer que estranhos percebam que se assanha, sedenta por "vara". No fundo seria interessante se pudesse transmitir isso vez ou outra;



Sussurra:

"- Há... O pai da Angélica, o irmão da Samantha, o esposo da Renata ou talvez o sogro daquela tatuada da rua 9... Ah, lembrei! Marta, minha boceta pisca quando lembro o que me contara sua empregada..."


Em fim, por vezes, se sente depravada. Onde é que já se viu, uma mulher no apogeu de seus quarenta não controlar sua mente devassa, mesmo após diversos se lambuzarem entre suas pernas arreganhadas/ensopada. Morde o canto da boca quando presencia veias saltadas em homens avulsos na rua, se sente nua, porque não consegue disfarçar a cara de tarada quando pulsa sua vulva. Vai a loucura ao imaginar mãos grandes batendo em sua bunda, tem que arder para que tenha de olhar para trás e pedir: que faça, mas faça com brandura. Em meios a choramingos e mordidas no travesseiro, pede mais força enquanto agarra o lençol entre os dedos.



Em tempos atrás iria ser tratada como a 'Geni do Zepelim Prateado', porém,  ela se destaca por saber fazer tudo na intimidade de um quarto. Sabe quando e onde escolher alguém que a possa preenchê-la, fazê-la sentir-se "trêbeda", sabe bem qual o homem capaz de fazê-la. E mesmo hoje, Era do silício, após inúmeros parceiros carnais, com um único objetivo, sem preocupar-se com compromissos, acorda primeiro e sai de fininho na madrugada, sem deixar números, recados, endereços. Somente homens confusos, estupefatos por ter sido lesados, caídos em seus costumeiros absurdos.



Quando a criei não lembro de tê-la dado doses extras de desejo, ela me surpreende com  tanto ensejo. Criei desde aquela singular criatura que dias e noites (como forma de castigo) açoita  almas de extintas pessoas que não souberam desfrutar-se da dádiva que lhes foram dadas - morreram sem ser arrebatadas pelo tão e formoso ego, o fogo que reprimiram em vida hoje as queimam o entorno. Também feita por mim, está a quarentona que acabo de apresentar seus feitos. Erroneamente pensam que eu a repreenderia, ela está certa de gozar da vida com tanta alegria, luxuria é um presente de quando ela era divina, minha eterna e desejosa Lilith, minha rainha noturna, o que vocês chamam de safada eu chamo de amante. Só fez o que fez porque eu não estava entre vocês, mortais suplicantes.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Você, Eu & Nós


Há fissuras incorrigíveis que não nos atrevemos a questionar. Somente com tais inconformidades você se torna inteiro. Incompleto, imperfeito, com defeito. E é através dessa percepção que consigo contemplar o seu segundo eu, no anseio de um dia poder me deliciar com o terceiro, o verdadeiro.

Se não estiver sob uma iluminação perfeita, não basta ser bonito. A sua retina tem que ser capaz de capturar o reflexo da beleza. Aí sim você, por enquanto, será capaz de admirar a luz e terá que se esforçar para enxergar o verdadeiro dono da beleza.

Tudo que quero, é lhe mostrar que estou como um espelho a te esperar, e ficar feliz quando te mostrar. Na ira dos que passaram te deixarei enxergar, o meu lado que ninguém pode apanhar. Se fossemos perfeitos, nossa beleza não quereria um complemento, um alento, para apartar nosso tesão desse tormento.

Vejo-te como um verme. Rasteijando entre minhas frestas, completando minhas juntas e nessa conjectura almejando a plenitude, um lugar sem ataduras. Quando me encontrar, te preencho com meus segredos, trejeitos, desejos. Um verdadeiro afago a essa esdrúxula descompostura.

Se permitir, irei te inundar. Sei que não sabe nadar, mas irei te impulsionar até que sua alma transpasse a superfície, e juntos emergiremos, e nessa noite escura poderemos observar o eclipse se desfazendo. O ápice de nossa essência o Universo poderá se embebedar, se saciar, nos invejar. 

Porque nossas fissuras se encaixam. Nos encaixam. E como uma enxurrada, nos arrastam. Chocamos um contra o outro, corpo com corpo, e só irei parar quando me mostrar seu pescoço, o outro lado, o que ainda não deixei roxo.

Há fissuras incorrigíveis que não nos atrevemos a questionar. Somente com tais inconformidades me tornarei inteiro. Incompleto, imperfeito, com defeito. E é através dessa percepção que conseguirá contemplar o meu segundo eu, no anseio de um dia poder se deliciar com o terceiro, o verdadeiro.

Só sobreviver

Existe um tipo de cansaço que não se explica. Não é o cansaço do corpo depois de um dia longo, nem o sono acumulado de noites mal dormidas. ...