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sexta-feira, 14 de julho de 2017

O fim

É... A gente sempre acha que teremos tempo. Achamos que teremos mais tempo com as pessoas. Por isso, não damos a mínima para reparar danos que as causamos. Estamos sempre achando que haverá um momento seguinte, para que possamos nos redimir - tolice!

Se estou naquela sua listinha mental. Isso, aquela em que é dedicada a pessoas com quem você falhou. Uma espécie de "lista do perdão". Sinto em lhe informar (na realidade sinto porra nenhuma), que o tempo que lhe restava para isso, acaba de espirar.

Não precisa se aborrecer com isso. Nada mais importa. Na verdade nunca é realmente importante, nós é que nos fadigamos dando importância uns aos outros. Vou te contar o final desse drama, todos morrem. E a morte trás consigo o esquecimento. 

No enterro, peço que não chegues a beirada do caixão, quiçá da cova, e force choro, para não parecer cruel com os familiares. Vai por mim, eles sequer estarão ali, os corpos talvez, mas nada além disso. O cerne daqueles presentes, estarão vagando tentando encontrar sentido para o que acontecera.

E quer saber à verdade? Não creio que terá tanta gente assim, esse tipo de velório não costumam lotar. A presença do finado é quase que palpável no ar. Pairando sobre todos, tentando, através daquele ultimo ato, se expressar a derradeira vez.

As pessoas tendem a se esquivar de sentir tanta verdade na cara. A depressão que se sente, é esmagadora. Porém, é melhor que a sintam nesse dia, do que me verem arrastar sob seu peso. Imagino que seria danoso para todo impotentes de ajudar. Felizmente está tudo acabado.

Não vos escrevo isso para que saibam os motivos que me levaram a fazer, se quer encontrar essa resposta, é por sua conta e risco. Duvido que seu fim será muito diferente desse que desce nas cordas. Mas se mesmo assim quer encontra-los, reprise nossas últimas conversas. Meus dizeres foram sinceros referente à vida.

Agora, com meus últimos lampejos, não gaste seu tempo com essa droga de enterro. Faça-lhe esse favor. Não fará diferença alguma nos seus últimos dias de existência. Será como qualquer outro que já fora, a diferença será que deitei por vontade própria. Só passe por cima disso e siga em frente! É o melhor a se fazer.

Peço que avise os que tentarem entrar em contato comigo. Explique-os que os supostos compromissos que tínhamos, serão impossíveis de serem honrados doravante. Enfim, acho que é só o que tenho a dizer. Um abraço sincero para os que precisam de minhas despedidas.

PS: Mais explicações, leiam o terceiro capitulo de Jó.





segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Não passa de Eros

Sempre defendi que o maior obstáculo da vida, não é o perigo. É o tédio. Vivemos tentando nos disvencilhar desse sentimento. Você pode fingir plenitude, no entanto os realistas dos quais você tanto foge, vão jogar ao ar e te mostrar o quanto simula ser inteiro. O mal do século é oriundo desse desprazer.


A beleza profunda que vejo em suas lágrimas é o que me mantém. Vivo um dilema, onde quero continuar enxergando seus olhos e ao mesmo tempo não quero vê-lo maranhado em sua angustia. Pois, dizem que os olhos são o reflexo da alma. E se à temos, devemos mantê-las intactas.



Sei que a humanidade é triste e, infelizmente, é o que à move. Você olha como se me visse, porém não consegue de fato me enxergar, pois os seus gritos internos reduzem o efeito da sua percepção. Se pudesse me perceber, quando olha para dentro de mim, não sei se conseguiria ter próximos momentos felizes. Eu, como protagonista dessa trama, já me acostumei com essa falta de "brilho".



O Deus do tempo com sua entropia, organiza as cordas como uma menina de doze anos ao ajeitar seu quarto. Acaba perdendo o "fio da meada", e nos joga como um nada em vidas das quais não queremos viver. Seguindo a lógica, será que vivo? Incertezas que nos entristessem e nunca se imudessem. Até isso atenua a sua falta, você é o "entretenimento" que cala as vozes acumuladas.



A carência tem sua origem. Quando se é bombadeado com ausência, é lamentável a displicência acometida pela matriz. A minha impetulância vem como forma de vingança, pelos mal tratos fraternos. Até entendo, porém corroe como ferrugem, não os terem por perto. Coincidentemente a obra 'Anjos da Noite' jogou ao heyoan a verdade que o amor philos sofre em sua existência: "Talvez seja a maldição dos pais, errar com seus filhos". E primitivo como sou, busco tapar essa fissura, acoplando você, como um remédio. Para exterminar a dor.



Expresso-lhe o que sinto, faço sem maldade de obter de volta. Sinto porque quero, não quero evitar o meu querer. Te querer é o que me move nesse instante, por isso é tão triste. A reciprocidade que falta é perceptível, você tenta disfarçar, mas não tem como esconder de algo que é verdadeiro. E como não existe meias verdades, você é o oposto. Gosta de estar comigo, porém ainda pensa no próprio umbigo, me deixando a parte nesse labirinto. Incubido de trazer felicidade para um destinatário sem querência.



É notório o adeus sem empatia, a falta de vida que se deposita em mim. Eros fica cada vez mais evidente, atrávez deste desejo sem precedente. A falta é o que o alimenta, por isso me deixo levar por essa tormenta. A chuva lá fora, é o estado em que minha alma se encontra. Por mais negativo que seja, é uma forma de me alimentar, nem que seja o meu lado destrutivo, só assim chegarei a um destino.



Encontrei o meu estimulo, e temo que o perca, te perca. No fundo, sei que é inevitável o término. Pois tudo tem um final, e é necessário que se cumpra o ciclo, para não haver um cataclisma.

E te peço, me sinta. Antes que eu a use para sentir. Infelizmente, o meu tédio só é entretido dessa forma.


Mindflow em Break Me Out quase consegue descrever com suas palavras, simples e objetivas, e talvez lhe faça sentir o que habita em mim. Escute! Mas realmente o faça, não execute outro fazer na companhia dessa canção. Você sabe que meus dizeres são destinados a você, e te deixo com aquela frase clássica: "Carpe diem, quam minimum credula postero", é o que eu resolvi seguir. E é claro, sem esquecer que "memento mori".

domingo, 20 de novembro de 2016

Sinônimo de paixão

Como uma simples frase pode mudar meu estado, tento me importar o quanto menos com o que é dito por outros. No entanto, há determinadas pessoas e frases que são inevitáveis o refluxo. Digo. Tento não deixar, mas essa desgraça passa a importar. O Ser humano é só! Por mais que, tem quem diga o contrário, o ser humano é solitário. Há pessoas que, afrontando o pensamento lógico, deixo entrarem em minha vida e acabam se tornando seres necessários. Importantes. São causa de grandes males, pois passam a coexistirem junto a meu cotidiano, e começo a apostar/creditar muito nelas, superestimando-as até tomar bordoada. Aí, já é a fase em que o bobo que rege a corte, já está apaixonado e tem uma especie de consideração pelo réu. Não revido, apenas remôo. 

Frases que, hipocritamente não gosto de ouvir, são piores que uma canelada na costela (sei do que estou dizendo!), no entanto, são necessárias para evoluirmos! Amo pessoas sinceras, me fazem crer que a humanidade ainda tem salvação. Ser franco é, muito das vezes confundido como rude, lamentável a sociedade ser tão acostumada a maquiar os dizeres. Coitados. Assustam quando lhes são dito a verdade de forma direta. "A sempre uma loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura..." Acho que Nietzsche tinha razão!  Quando se ama é demasiado normal, mas levando em conta o que disse no início, é loucura amar alguém! Neste momento, entra o paradoxo imposto por Nietzsche, pois há um pouco de razão na loucura, você pergunta: como isso é possível? Eis que lhe respondo, a loucura está nos olhos dos terceiros que se julgam sãos. Logo não passa de ponto de vista.

Outro ponto importante é o que o amor nos causa, esse nos faz querer agradar outro ser, e imaginar a eternidade. O tempo imposto para nossa trajetória não é o bastante, queremos mais, queremos mais tempo para jogar fora com a amada. Ainda bem que o cotidiano existe, senão estaríamos perdidos, cada um perdendo o tempo amando sem ter certeza de ser amado. Jogo tais palavras em seu campo de visão e você pensa que sou amargurado, errando! O que disse é a verdade, mas como todos somos hipócritas, ignoramos a sanidade e amamos o próximo. Costumava viver minha vida a noite. Vivi por muito tempo nas sombras... Mas após surgir certas pessoas em minha vida, uma luz se acendeu! No começo me assustou, a luz era tão brilhante que ofuscou minha vista, depois se tornou parte do todo! Sei que não devo te ver como minha salvação, afinal você está tão perdida quanto eu, mas enquanto estiver ao meu lado sinto que conseguirei enxergar a minha luz, ou seja, você desperta o melhor que há em mim.

Quando se tem a noção que tudo vai dar certo, esperamos com uma certa expectativa. E quando nos é cobrado algo, muito das vezes, queremos mostrar o nosso valor. Nesse momento é que nos vemos a beira de um precipício, onde tomamos um folego e olhamos uma última vez para o horizonte, antes de saltar. Passamos por uma espécie de insight, pensamos em tudo e no nada em questão de segundos... É uma das melhores sensações que já senti, e gosto de sentir quando possível. É lamentável quando esse pequeno momento que descrevi de uma forma extensa, é arrancado de mim. Você me levou para o alto da montanha com seus dizeres, me fez imaginar a sensação de pular nesse abismo, e do nada, com atitudes estranhas me afasta de ti. Dizes que me queres por perto, mas não faz questão da minha presença. Me faz sentir-me seu confidente, porém me exclui dos seus conflitos! Fico feliz que tenhas alguém para partilhar e refutar suas confusões além de mim, mas como um ser vulnerável que me tornei após a sua chegada, me sinto um pouco enciumado. Sei que é ridículo, mas sinto.

Agora lhe pergunto, porque teve que me iludir, não bastava o olhar penetrante e o sorriso sedutor? Tinha que me fazer sentir que eu poderia ser o ser que lhe faltava? Já havia contrariado a lógica, ignorado meu lado racionalista, e apostado tudo nesse romance. Paixão é algo que nos deixa embriagado de ignorância, e mesmo assim queremos outra dose. Agora o meu Eu me puxa a orelha e diz aquela famosa frase de quem sempre esteve certo: "Eu te avisei, não se apaixone por ela...". Mas a droga do meu coração, sempre com rebeldia e birra do cérebro racional, me faz tomar caminhos com finais. Por isso, e outras coisas mais, é que gosto da solidão. Ela não me ilude, apenas me diz a verdade, mesmo que esta seja como fel. 

Volto à dizer, o ser humano é só! E por mais que tenha quem diga o contrário eu saliento que somos seres solitários. Há momentos em que partilhamos com os outros, mas não passa de duas solidões coexistindo. Não passa da famosa "solidão compartilhada". É devido a solidão que nós sempre queremos estar com alguém, digo, alguém que valha a pena, e isso me remete ao ponto em que fecho os olhos e me imagino cheirando o seu pescoço, quase posso sentir o cheiro da sua pele, aquele cheiro, lembra? Infelizmente ou felizmente, estou novamente na beirada daquele precipício e não me sinto só, dessa vez apenas respiro fundo e me deixo cair. Após um turbilhão de pensamentos e sensações, eis que surge uma pergunta que a tempos me rodeia: Namora comigo?



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nunca é o que parece

A incerteza paira sobre min, porém hoje me sinto estranhamente vivo. A razão desconheço de fato, mas algo mudou e gostaria que continuasse assim. Será que é por eu ter me reencontrado lendo um drama jovem-adulto? De fato, adoro esse tipo de história. Quando se trata da fase juvenil no século XXI, com os protagonistas habitantes da América do Norte ou no território Europeu, desperta em min um certo encanto! A cultura me fascina. Mas aquela incerteza ainda esta lá, tento ignorá-la para que eu possa continuar com vibrações elevadas, parece estar funcionando. Tenho medo que esse "estar vivo" consigo, traga aquela insana vontade.

 Só de pensar sinto meus instintos se aguçarem como se uma fera fosse, como se essa fera tomasse conta de min, desejando saciar sua sede. Admito que amo essa sensação, sinto que estou no controle e compreendo melhor o meu ser. O infortúnio é à legislação que trata pessoas da minha especie como bárbaros, como se nunca houvesse tido desejos semelhantes. Entretanto não executam, com receio dos fatores seguintes segundo as suas leis. Hipócritas, não admitem serem animais, mesmo que racional.

Eu praticamente invejo quem tem tanta certeza de algo. As vezes temos "certeza" que fulano é inofensivo, e creditamos confiança. Até nos depararmos com o seu verdadeiro eu, e percebemos que ele é apenas mais um animal sedento por sangue. O sangue quente entre seus dedos e sua pupila dilatada - efeito da excitocina. Como se pode ter certeza em um mundo de seres incertos? Não o culpo por querer sentir que está vivo... Uma sábia e velha senhora, uma vez proferiu os seguintes dizeres que, guardarei e usarei como guia em minha trajetória: "confie naqueles que buscam a verdade, mas duvide daqueles que dizem que a encontraram." Talvez seja por isso que, simplesmente não consigo desapegar desse "agnosticismo" em relação a praticamente tudo na vida e me simpatizo com maestria com à tal filosofia. Pensamento as vezes benéfico, outrora nem tanto. Minha vó tem o dom de causar essa costumeira sensação de vazio na gente. No entanto, quando à indaguei qual seria o sentido da vida, eis que ela me responde que é viver, contrariando o meu modo de pensar. Forma sutil e complexa de se responder. 

Sinto em dizer que desconheço quem vive, conheço apenas sobreviventes desse mundão. Somos obrigados a pensar igual, a ter padrões, a coibir nossos desejos mais íntimos e a contracenar nesse perfeito mundo regido pelo acaso, mero absurdo. Afinal tudo provém dessa origem. Portanto, somos todos forçados a atuar, deixando de lado o viver. Quando escrevo, faço porque quero, faço porque sinto e sinto porque supostamente estou vivo. Você é a razão na qual eu me sinto vivo, mesmo que perambulando pela morte. Porém devo salientar que, para uma pessoa que não vê graça em nada e consegue encontrar um outro alguém que, apenas por existir, dê sentido para a primeira continuar... É algo extraordinário. Ideia um tanto quanto absurdista. Mais absurdo seria se eu à quisesse tanto em meus braços, mas dispensasse a vontade de ter sua vida/sangue em meu poderio. Devido a lei do homem, volto a afirmar: não vivemos, apenas sobrevivemos na falta do que seria necessário para viver.

Imagino o porque da associação involuntária/inconsciente de histórias juvenis com se sentir vivo, ser jovem é estar próximo do 'viver' propriamente dito. Fase de explorar, desejar, apreciar, refutar, imaginar... 'N' verbos com significados relativos ao próprio prazer, quase um Satanismo real. A pior coisa é ser impedido de seus prazeres. Coisa que o Satanista almeja com tango afinco! É complicado falar sobre o real satanismo nos dias de hoje, alias, sempre foi... Exemplo disso é ocultismo demonizado que foi instituído até mesmo contra Jesus -enquanto em terra. Logo o Messias, o tão falado filho do Deus do amor, causando sua crucificação. Maldita sociedade, ainda alimentam o mesmo pragmatismo.

Hoje em dia, percebo que o mundo em que vivemos é apenas um reflexo do mal-humor de Deus. Pessoas perversas, desequilibradas, lunáticas e esquizofrênicas nos rodeiam. Estou expondo meu ponto de vista, talvez eu seja um, ou o esquizofrênico a qual me refiro, porém não há se quer um ser vivo capaz de dizer que estou a beira do precipício. Não há um alguém a altura de dizer que meus desejos/instintos são malefícios diante a sociedade. E seguindo meu impulso, aproveitando o meu bem estar, continuarei meditando maneiras de te esquartejar com aquele cutelo que compramos juntos. Lembro-me do teu sorriso quando me mostro-o pela primeira vez, e quero ver novamente quando estiver arrancando pedaços de você.

Na companhia do meu teclado e um love metal, fantasio sua morte. Porém com consciência que isso não pode sair do mundo astral. Afinal, devo alimentar meu desejo ou não? Se o deixar ir, minha frustração aumentará e ficarei mal por isso, em contrapartida se eu executar, te executar, terei que arcar com as consequências de uma legislação fajuta. Realidade cruel, e o meus direitos decretados na Constituição de 1988? Penso que podemos fazer tudo que queremos, quando estou nessa vibe, só devo me atentar a maneira correta de fazer, para driblar os Direitos Humanos. - Assim pensou o jovem psicopata, tentando reprimir seus desejos. 

sábado, 6 de agosto de 2016

O que me resta?

A vida é feita de bons e maus momentos, isso todos nós sabemos! Quando algo esta dando errado esperamos pelos bons momentos, essa é a esperança que nos dar forças para continuar nessa trajetória sem sentido. Aí eu me pergunto, e se aquela parte boa, que realmente vale a pena ser vivida já passou?

Oscilei entre o magnifico e o catastrófico, nesse período vivi intensamente cada instante! Seja ele ruim ou completamente ótimo, digo que aproveitei...Talvez eu mesmo tenha provocado esse desencarrilhamento e hoje procuro retornar com o trem aos trilhos, não questiono isto. Apenas me pergunto, e se aquela parte boa da vida já estiver passado, e agora só me restou dias massantes nos quais me policio para não tentar contra min?

Qual é a ideia de continuar se já passei do ponto em que eu deveria descer, o meu destino agora é ser levado pelo trem até a ultima estação? Nesse trajeto me punir mentalmente por ser incapaz de dar um fim nessa maldita farsa? Mas a pergunta de fato é, e se aquela parte boa da vida já estiver passado?

Se for verdade eu compreendo! Sei onde pequei, sei com quem pequei... A sua falta me consome, porém não posso tê-la outra vez. Não seria justo. Na teoria das cordas você já esta em outra vida, sendo outro alguém, não devo interferir. De certa forma à espero na ultima estação, mesmo sabendo que pegou o trem no sentido contrário, pois eu a tirei do meu vagão.

Como finjo não importar, me arrasto cada dia ignorando o vazio. Lotei a minha agenda de entretenimento, para não mais observar os dias passarem. Sou movido pelo cotidiano, este que não para, por isso não posso parar. Existo vagueando entre um dia e outro com uma patética esperança que tudo seja apenas uma fase, pois fases passam. Mas e se aquela parte boa da vida já estiver passado?

Já escrevi coisas alegres, tristes, desesperadoras, contagiantes, mas hoje só inicio um texto para me ver longe de min, quando olho para dentro não enxergo nada, apenas o nada. Movido pelo automático eu sigo, rumo ao esquecimento, local onde sempre temi estar. Não foi você, nem eu. Não preciso e não devo culpar ou encontrar a culpa. A aceitação é árdua porém necessária.

Não nego que sinto sua falta. Não deveria deixar você partir. Independente da situação não deveria ter me cegado em sua partida. Infeliz! Não movi um músculo para te trazer de volta, nem sei se podia. Quando o tentei já era tarde, os trilhos haviam mudado. Ainda me pergunto e se aquela parte boa da vida já estiver passado?

Minha companheira hoje é a solidão. Já tentei inutilmente ocupar seu lugar, porém sempre falta algo, nunca é você... Estou enlouquecendo na procura de sua copia. Sei que não deveria tentar te encontrar, muito menos em outro alguém. Estou rodeado de pessoas, pessoas boas, mas continuo me sentido solitário em meu trajeto. Além de não a ter ao meu lado, ela também se afastou. Pessoas indo como se fossem momentos... Deveriam ser mais sólidos, caramba!

Não te peço para voltar. Quero que siga e se encontre... Só te peço, não esqueça aquele momento em que valeu a pena ser vivido, não me apague da sua memoria. Sei que já passou, mas continuo me perguntando, e se aquela parte boa da vida já passou, o que me restou?

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O último adeus

Na companhia de familiares e barulho de chuva me encontro em uma espécie de depressão. O amor pela vida se foi, não sei ao certo em que momento isso ocorreu, só sei que este "entusiasmo" não se faz presente. Ficar confinado em casa em consequência dos fatores climáticos é lamentável! Mas não é motivo para se sentir desmotivado com o todo. A falta de brilho nos olhos, aquele ar de esperança, a desmotivação perante a tudo me incomoda! Porém não encontro alternativas para prosseguir... Apenas sinto essa tristeza enorme sem um motivo plausível. Me sinto sufocado, prestes a ser consumido por um abismo sem fim. Na mesma proporção que não encontro saída para este labirinto, não sei como cai aqui. O mundo é estranho quando se ver daqui, nada faz sentido, nada tem graça! Até mesmo desejos carnais se tornaram chulos visto deste angulo. 
Peço perdão a todos que ficam, pela minha incompetência em encontrar tesão nesta jornada na qual ninguém sabe onde vai dar... Não encontro motivos para continuar dando "murros em ponta de faca" uma vez que tudo isso é em vão. Triste realidade dos seres humanos, preferem se iludirem com um "plano maior" do que aceitar a sua insignificância no Universo. E tem a audácia de se julgar superiores perante as outras especies. É, pensando bem em nossa existência à morte parece super atrativa, a vontade de permanecer dormindo invade os meus dias... E Após adquirirmos um certo grau de razão nos damos conta que a frieza anda junto com a primeira.
Se eu pular, será que vão me recolher logo do asfalto gelado, ou irão ficar me olhando e acompanhando à despigmentação de pele dos meus restos mortais, pelo fato de estar chovendo? Como se importasse... São apenas dejetos de mais um em meio a bilhões. 
Será que terei coragem para me lançar pela eternidade? Como o mundo é cinza para min, creio que sim, porém os que ficam não precisam de me ver aos pedaços. E odeio fazer espetáculos, então esta maneira de partir eu descarto!
No entanto, isso não inibe minha vontade de perder o folego (literalmente)... Veneno de rato também descarto, quero morrer e acabar com esse sofrimento silencioso, não torna-lo barulhento.
Só me resta a corda. Nó bem feito, altura considerável, acrescento um haltere de 40kg para não ter a oportunidade de cogitar desistir e me sentir um inútil pior, e pronto, adeus.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O observar desperta o pensar

      Centenas de homo-sapiens estão ao redor, alguns calados outros em burburinhos nos quais não se da para compreender. Diversas formas e tamanhos. É quase palpável os pensamentos alheios se cruzando pelo ar. Uma loira chata a minha esquerda desviando a minha atenção, tentando me tirar de meu êxtase. Esta epifania na qual eu amo estar.
     Pessoas que talvez nunca mais irei vê-las na vida, mas que fazem parte dela. Estranho e complexo, né!? Algumas fisionomias me despertam lembranças abstratas de um passado (talvez). Conversas aleatórias me fazem perder no ar. As vezes me permito! Mas logo volto a me encontrar, apesar da realidade que nos deixa a desejar.
   Escritas desordenadas saem no papel como se acostumadas fossem. Talvez ninguém entenda o que eu desejo transmitir, mas pouco me importa, escrevo para mim! A compreensão alheia é um privilégio deles...
     É nestes momentos de calmaria que tento me expressar, mesmo que seja apenas para desabafar ou limpa um pouco a mente. Pelo turbilhão de pensamentos que invadem o meu cérebro, é necessário vomitar um pouco destas nuvens falatórias.
     Amor: palavra e sentimento que nos surpreendem a cada instante. Atos que eu não cometeria me fazem refletir  no agir do outro guiado por essa emoção tão pouco explicada mas de fato sentida.
     Ao passar do tempo as pessoas no ambiente mudam. E eu no papel de observador parado a pensar percebo o recinto esvaziar e a solidão chegar novamente e deixo de  pensar no amor. Apesar de ter você que não me deixa exatamente só, não importando o tempo...
     Escritas sem sentido? Estou apenas plagiando a vida, em sua companhia. E jorrando o que me inunda sem motivo. Vou me retirar também deste lugar! Pois devo ir e lhe deixar a imaginar... Textos sem fim são fascinantes pois você o escreve comigo, "sem estar ao meu lado".

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Desejos

Apesar das inúmeras razões para a tristeza, hoje o dia está agradável. A vontade de viver se tornou presente, entre minhas fases. O Marrom que despertou em mim esta vontade de expressar meus pensamentos, é provocador. Talvez tenha sido este o motivo para eu me aventurar nos acordes de um violão. O óleo não escorregou, sofrendo a força da gravidade em sua curvatura conforme deveria. Neste calor não se sabe se é suor, creme ou óleo, percebo que estar molhada. A única convicção é o bronzeado que se torna evidente em seu decote.
Vermelho, para mim, a cor universal da provocação. Maldade o uso desta cor, fundido com sua pele bronzeada. Oh céus! Aquelas marquinhas… E mesmo com alguns contrapontos elas se sobressaem através das tiras azuis. Não sei se o intelecto esta ligado à libido, tenho quase certeza que ambos não habitam o mesmo local. Quanto mais tento desviar o meu olhar, mais me chama a atenção. Questiono até mesmo o meu juízo quanto a ela. Ela não tem consciência, ou talvez tenha, do que se passa em meu olhar. Deixar um branco na cabeça de um pensador, mesmo que por segundos, é perigoso. Confortável em um sofá. Cabeça pesada. Várias companhias ao meu redor, sem ao menos imaginar onde estar o meu imaginar. Te deixo intrigado, talvez excitado, porém, ao menos que você esteja acompanhando meus pensamentos piamente, não entenderá a minha sina. É algo platônico! Transcende a linha da lucidez de minha parte, para com minha verdadeira amada.

sábado, 31 de outubro de 2015

Dose de realidade

    Flutuando com clonazepam. Dopado de ódio e vazio. As caixas sonoras insistem em ecoar uma fúria pelos integrantes da banda Slipknot. Pessoas dormindo e absorvendo toda a loucura dos cânticos. Pessoas em aparelhos telefônicos na esperança de algo novo, e nem se deram conta de que a depressão estar se arrastando em torno de seus pés. Se tornou tudo muito mais fácil, sem dificuldades. A esperança que haja um amanhã, se esvai.    
  Todos com olhares cansados por estarem sendo sugados por seus smartphones, um vício. O vício de escutar musicas para dar vazão a minha fúria, já revela o tamanho de minha hipocrisia em criticar alienados por eletrônicos (grupo no qual eu faço parte!).   Sinto em dizer! Nos tornamos dependentes das maquinas. Alguns como eu, tentam se abster o máximo à essas "vontades da carne", porém é inevitável! O mundo virtual, hoje faz parte do mundo fictício em que vivemos. Ou seria interpretamos? Enfim.    
  Criticas elevadas a inveja me trás a escrever de novo. Pessoas que tem o mesmo potencial que as demais, mas não querem produzir, apenas obter resultados semelhantes dos que se encontram em fadiga. Fadiga faz parte do meu dia. Não se sabe se faz parte da loucura, ou é um mero reflexo do trabalho árduo.     
  Mundo com cânticos que dizem que os menos afortunados, nos cercam pelas ruas. Quando nos trancamos, na vã tentativa de ficarmos fora do mundo deles, somos vistos com maus olhos: louco, egocêntrico, viadinho, anti-social e por aí vai... uma caralhada de xingamentos. E as vezes, temos medo de não sermos bem interpretados pelos demais, desencadeando algo pior.     
  A resposta para o achismo alheio é o que vale para os portadores de invejas, os que criticam sem causa. Hoje com a "liberdade de expressão" todos, mesmo que em anonimato, se tornam críticos/sabichões  e julgam o trabalho alheio sem ao menos ter um para tirar base. Realidade contemporânea: criando porcos alienados e sem culhões para deixar sua marca na história. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Heyoan

No bairro: Santa efigênia – em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais – Em frente ao batalhão da polícia militar, o vento falou comigo. Não que, ele nunca houvesse deferido uma palavra a minha pessoa, antes. Desde cedo, venho contemplando à natureza e me deparando com diversas formas de expressões que, o universo, tenta nos fazer sentir/refletir a sua grandeza.


Quem não ficou muito satisfeito, de início, foram as persianas da sala onde trabalho. O vento que, através das indefesas persianas, me contava algo prazeroso e rico. Acabava por arremessar violentamente às pobres contra/ sobre o beiral diante a janela.



O sol todo pomposo refletindo-se através do caderno à minha direita. O som que se espalha em meus ouvidos (João Gilberto - LP Amoroso - Álbum Completo), como uma serenata direcionada a uma bela dama, no alto de um prédio qualquer no centro da cidade. Eu seria um tremendo canalha se, me atrevesse a fazer o download deste belo trabalho e não retribuir com nada para seus respectivos autores. Portanto, me contento com o Youtube – ferramenta esta que me proporciona tal sensação no dia de hoje.



Amor, paz, aconchego ou serenidade talvez. Eu não quero me focar no que sinto agora, deixo esta característica primitiva para quando eu estiver menos ocupado. Agora eu estou me deliciando com esta/essa (me atrevo a colocar um ‘s’, para mencionar a pluralidade), emoção! Por gentileza, me deixe assim.



Logo, fui surpreendido! Pois essa realidade mágica havia desaparecido - ou melhor, dizendo: transformada. Agora me perco em meu teclado e um sistema comum, onde o sol já se expandiu e neste momento posso notá-lo ainda mais. Ainda na companhia de um belíssimo álbum, que também sofreu uma alquimia e agora é chamado: Stan Getz & João Gilberto - Getz/Gilberto (1963), outro clássico.



Devo salientar que, é a primeira vez que tenho o prazer de curtir essas belas canções. Musicas quê, me alimenta a alma e enriquece minha cultura. Pois como um brasileiro que sou, tinha a mania de criticar o meu país! Porém, eu não me dava o trabalho de extrair o melhor que nele há. Tudo isso, graças a uma cantora, também queridíssima: Blubell. Esta que é uma das vozes contemporâneas que tive o prazer de conhecer! E que citou, o primeiro álbum acima, no programa Cultura Livre.



E assim vou tomando impulso para alcançar voos mais altos. O universo querendo ser notado e fazendo aquele milagre de nos contar que também fazemos parte deste. E que, ao invés de pensarmos em partes, separações, nomenclaturas enfim. Talvez devêssemos prestar atenção no todo. E levantar a persiana, para que o vento (assim como os demais) possa transitar livremente. Finalizando com mais uma indicação de musica: William Roberto - É noite, que me trás uma das melhores nostalgias na qual já vivi – até agora.

Uma pequena amostra do monstro que sou

Olha que magnífico, mais um domingo! Em frente à um computador conectado a rede, escrevendo para você. Parece interessante! Mas não é... Como havia dito, este dia é opaco, como os demais, com apenas um pouco mais de cinza, ou amarelo. Depende do ponto de vista de cada um. Ao meu ver, é uma especie de camaleão. Se é que este animal pode oscilar apenas entre duas cores. Apesar do dia chuvoso, eu me sinto bem. Quero dizer, "normal". Pois nunca, de fato, soube o que é esse tal de bem. Mas isso é assunto para outros tempos, e graus de loucura.


Estou aqui nesta tarde por vários motivos, um dos principais, uma frase supostamente dita pelo esplêndido compositor alemão. Creio que nem preciso dizer seu nome, basta dizer que ironicamente ele perdeu a audição, progressivamente ao longo de três décadas (entre os 20 e os 50 anos). E eu não poderia citá-lo sem estar escutando sua 5ª sinfonia. Pois bem, a frase proferida pelo nosso amigo é a seguinte: "A felicidade não foi feita para mim ou, eu não fui feito para a felicidade." Simplesmente ele conseguiu descrever, em uma pequena e singela frase, o que eu sinto e sempre senti, em cada célula do meu corpo. É extremamente cômico como ela parece fugir de mim.



Tudo correndo perfeitamente bem, até eu fazer uma pequena pergunta e obter um silencio confirmador, que mudou completamente o meu humor. Não sei se conseguirei parar de imaginar a cena que volta-e-meia me faz companhia, mas que na realidade foi inventada por mim. Penso que talvez seja a minha querida mente me ajudando. Ou a mesma me empurrando de um precipício. É uma droga todas essas dimensões que ficam brincando com minha cara, e trocando me de corda, fazendo me acorda em outras, onde você não exista. Apenas gostaria de viver em uma, na qual você se faz presente o tempo inteiro. Poxa, será que é pedir muito?



Já gritei (literalmente), só não chorei por falta de culhões para tal feito. Tento me distrair e pego um livro, e lhe dou a missão de me levar para longe, onde não haja dor. Faço coisas que frequentemente gosto, para tentar te tirar de minha mente. Sinceramente, eu te disse que não lhe importunaria com este tipo de assunto, mas isso tá me matando. E minha mente, como uma boa companheira de sempre, o tempo inteiro me jogando perguntas e mais perguntas, me fazendo sentir  solitário e tristonho. Parece sacanagem, quando consigo "sair" do meu tédio, é para um lugar pior. Cogitei covardemente que eu poderia ser surdo como Beethoven, naquele momento, para não escutá-la dizer aquilo. Mas aí lembrei que nem mesmo assim eu estaria bem agora, pois a unica coisa que você fez foi ficar calada, que por sinal é o que agrava minha situação.



Antes mesmo que você me pergunte,  se eu pensei -talvez- que poderia ser cego, tendo em vista que  foi o contato visual que despertou todo este desespero. Eu te respondo que  não. Já é ridículo o bastante pensa em não ter um  de meus sentidos, apenas para não tomar ciência do que aconteceu. Sendo que existem milhares de pessoas que adorariam estar em meu lugar, e passar pelo meu sofrimento, apenas por estar com todos os seus sentidos funcionando normalmente. Peço desculpas à todos que se encontram nessa situação, realmente é muita falta de humanismo de minha parte.



Pensando assim, me sinto um lixo. Mas o único motivo pelo qual eu não pensei que poderia ser cego naquele momento, foi por que então, eu iria sofrer de algo muito pior. Seria algo que, talvez ultrapassasse tudo de ruim que eu já fiz e disse em minha vida. Minha loucura se torna um nada na sua ausência.

Notícia

Trágico. A palavra que define tudo poderia ser esta, ou catastrófico, também serve! O cômico é que nenhuma consegue descrever o "choque" que levei ao receber a notícia.  Não passou de uma voz metálica ao telefone, mas com um significado tão desastroso que nem consegui falar direito. Não faço ideia de como minhas pernas conseguiram reagir ao invés de me deixar cair.


Pensei: " Mentira, é apenas uma brincadeira" de muito mal gosto por sinal. Tentando tirar tudo que me desse veracidade da fatalidade. Ao mesmo tempo senti meu peito apertando, e antes de sentir a mesma sensação na garganta, cogitei a hipótese de ser uma asma repentina. Descartando a possibilidade de que se tratava do coração.



Lembro me da paisagem de concreto que me cercava no momento, diga-se de passagem era muito feia como todo o resto.Mas fodas, todo o mundo esta caindo sobre minha cabeça, e estou preocupado com a beleza que me cerca? Provavelmente estava tentando pateticamente procurar uma câmera escondida, supostamente enrustida para capturar minha reação.



Sai andando sem rumo, como se pudesse fazer algo. E com a mesma estranheza em que uma pessoa, em meio a uma discussão,  atende o telefone e sai andando sem rumo, eu parei próximo a uma pilastra e não me contive. A voz imersa em completo desespero, eu te respondi após inúmeras perguntas, o que estava acontecendo. Olhei para você e tu já se encontrava em prantos, antes mesmo de saber o que eu tinha escutado ao telefone.



Foi quando me lembrei que ainda estava em ligação. E neste instante ouvi algo que mesmo tendo consciência que é o futuro de todos nós, me iludi e jamais pensei que ouviria, e que desceu como fel de encontro ao meu estomago. A voz gélida do outro lado da linha disse:



" Venha rápido, você é a unica pessoa da família que sabe, trate de avisar os demais"



Foi cruel.

Banalidade comparar

Em um chão gelado a pele fria pelo contato, minha mente outra vez cheio de audácia e perversidade, imagina sua roupa espalhada pelo quarto. Cama bagunçada (um pouco molhada de suor), sua pele macia ( um pouco rígida, efeito do vento que invade pela janela, deixando-a arrepiada), seu belo cabelo sem um lugar certo (pois juntamente com o corpo percorreu a casa inteira), olhos fechados (acompanhando a boca com uma certa serenidade, sem perder a sensualidade). E minha mente não satisfeita, quer ir além, e agora eu tenho uma visão mais próxima de você. Percebo algumas marcas vermelhas pelo teu corpo, com certeza não me contive, e mordidas, tapas e algumas pegadas mais fortes, foram necessárias para saciar nossa vontade.


Desperto de meus pesamentos e deixo a realidade tomar conta. Continuo deitado nessa cerâmica gelada. Olho para cima tentando enxergar o céu (a única coisa tão lindo e sereno após um vendaval, e que tem o cinismo de se mostrar brando depois de destroçar uma casa), mas não havia céu algum. "Porra! Estou dentro de casa, no escuro, deitado neste chão frio e querendo enxergar o céu ? Estou "viajando" só pode..." Disse no momento em que me colocava de pé. Ainda atordoado com a maneira esplêndida em que meu cérebro te projetou dormindo completamente nua em minha cama, saio cambaleando a procura do "meu céu" (este que não há espaço a ser preenchido com estrelas, pois as mesmas não caem), e ao sair na varanda me deparo com apenas nuvens, sem ao menos uma estrela para embelezar aquele cinza filho da puta.



Em questão de segundos, me lembro de outra coisa que consegue me dar a mesma sensação do que admirar o céu em um "dia bom". Deixando para traz aquelas nuvens que insistem em tornar tudo uniforme e esconder uma beleza surreal, adentro rapidamente e vou em direção ao meu computador. Após alguns clicks de mouse, aquela linda sinfonia invadia meu quarto. Parecia que dançavam em cada fresta das paredes, quase podia sentir a presença do próprio Beethoven ali. E então percebo que foi em vão. Nem mesmo ela (sinfonia) consegue provocar em meu corpo o mesmo ou similar "frenesi" de quando apenas penso em você.



Logo deixo à você a missão de trazer a tona uma sensação que nem mesmo o cérebro humano consegue imaginar (apesar de senti-la), e volto a deitar - agora em meu leito- para me afundar em meus pensamentos. E antes de deixar você rouba-lo por completo, me pego pensado que nem mesmo o céu com toda a sua magnitude conseguiu manifestar diante dos meus olhos, quiçá a 5 sinfonia de Beethoven com sua desenvoltura conseguira. Mas você, meu bem, consegue me causar tal efeito! Na realidade, tudo que foi dito aqui, comparado ao fato de imaginar sua boca e teu corpo junto ao meu, se tornam apenas mais uma trivialidade da vida, que devo esquecer quando minha boca de fato encontrar a tua.

Viver ou interpretar?

Parece ser discreto, porém contemporâneo os meus atos. Questionar a existência é algo solitário, para alguns... Para outros uma forma de sobressair em meio a multidão acomodada. Eu não poderia dormir esta noite, se não contribuísse para um desses quadros.
Eu não entendo é, porque deve de ter tal motivo? Pensar, muitas vezes, nos trás as respostas... Eu concordo com tudo o que você disse, até então. Porém, é meio bunda, viver apenas por viver!
A existência é vaga! O interessante, para mim, é que os restante dos animais, além de nós, não sabem que irão chegar ao fim. Por isso vivem por instinto (um erro, em minha opinião, não fazer uso, nem um pouco que seja, da razão). Aí vem os seres humanos, pseudos normais/intelectuais: que vivem como se numa peça de teatro estivessem. Depois, vem os que tem consciência disso tudo... E quando se tem tal consciência, tem horas que é foda!
Volta e meia, da uma vontade de trocar uma ideia (igual estamos fazendo agora), sem precisar "medir" as palavras. Ou então, usar um vocabulário/ideias mais sofisticadas. E as pessoas ao redor apenas dizem uma unica coisa: "Você tá precisando de Deus". E os mais sensatos: "Você está ficando doido".
É cômico tudo isso!
Estou ficando com bastante tempo livre, saca?! Então, os pensamentos vem. E é difícil encontrar alguém que diga apenas o óbvio, neste mundinho de agrados alheios.

Lago verde

O sacolejar das pequenas ondas que surgem, influencia deste mini eco-sistema criado. Os peixes nadam de forma desordenada, como se não tivessem explorado cada canto deste lago. Aquela pequena carpa-dourada, hoje não se intimida com as demais, pois já se tornou parte da família. A quantidade de musgo que foi surgindo nas pedras, que ao ver dos peixes (imagino), parecem rochas onde eles podem diminuir ou aumentar o efeito das quedas d’águas.     Tudo é questão de pondo de vista! Para mim, ser que se encontra fora da água, é algo magnífico. Porém, se fosse eu um dos peixes a nadar, odiaria essa limitação impostar por um reles mortal.  Ainda bem, creio eu, que eles não têm consciência de sua existência, são simples exploradores que em cerca de duas horas já esqueceram o caminho que percorreram.     Agora, eis que surge a dúvida. Será que nós temos, de fato, total consciência de nossa existência? Como os peixes, poderíamos ser apenas mais uma massa de manobra de seres superiores, onde o nosso “vasto” eco-sistema -na visão deles- é algo semelhante ao lago no qual observo. Seria muita “viagem” de minha parte? Creio que não. Nós humanos temos convicções/pressupostos que gostamos de carregar e agarrar ao longo da vida, porque não séculos. O fato é que não sabemos qual é a nossa real posição no cosmo. Temos em vista que tudo se tem ligação e possuímos teorias que comprovam isto! Porém ousar dizer que somos seres independentes seria muita presunção.     Após mais uma reflexão (talvez banal), sou obrigado a retornar a “realidade” melhor dizendo: para o tempo linear. Lugar este de muito verde, barulho de água e calor humano. E poder presenciar algo tão esplêndido que o homem pode criar, me trás o sentimento de gratidão neste fim de tarde. Sinto em dizer que tenho pena dos peixes e de vocês, por vocês não poderem se deliciar com o meu ponto de vista.

Só sobreviver

Existe um tipo de cansaço que não se explica. Não é o cansaço do corpo depois de um dia longo, nem o sono acumulado de noites mal dormidas. ...