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sexta-feira, 14 de julho de 2017

O fim

É... A gente sempre acha que teremos tempo. Achamos que teremos mais tempo com as pessoas. Por isso, não damos a mínima para reparar danos que as causamos. Estamos sempre achando que haverá um momento seguinte, para que possamos nos redimir - tolice!

Se estou naquela sua listinha mental. Isso, aquela em que é dedicada a pessoas com quem você falhou. Uma espécie de "lista do perdão". Sinto em lhe informar (na realidade sinto porra nenhuma), que o tempo que lhe restava para isso, acaba de espirar.

Não precisa se aborrecer com isso. Nada mais importa. Na verdade nunca é realmente importante, nós é que nos fadigamos dando importância uns aos outros. Vou te contar o final desse drama, todos morrem. E a morte trás consigo o esquecimento. 

No enterro, peço que não chegues a beirada do caixão, quiçá da cova, e force choro, para não parecer cruel com os familiares. Vai por mim, eles sequer estarão ali, os corpos talvez, mas nada além disso. O cerne daqueles presentes, estarão vagando tentando encontrar sentido para o que acontecera.

E quer saber à verdade? Não creio que terá tanta gente assim, esse tipo de velório não costumam lotar. A presença do finado é quase que palpável no ar. Pairando sobre todos, tentando, através daquele ultimo ato, se expressar a derradeira vez.

As pessoas tendem a se esquivar de sentir tanta verdade na cara. A depressão que se sente, é esmagadora. Porém, é melhor que a sintam nesse dia, do que me verem arrastar sob seu peso. Imagino que seria danoso para todo impotentes de ajudar. Felizmente está tudo acabado.

Não vos escrevo isso para que saibam os motivos que me levaram a fazer, se quer encontrar essa resposta, é por sua conta e risco. Duvido que seu fim será muito diferente desse que desce nas cordas. Mas se mesmo assim quer encontra-los, reprise nossas últimas conversas. Meus dizeres foram sinceros referente à vida.

Agora, com meus últimos lampejos, não gaste seu tempo com essa droga de enterro. Faça-lhe esse favor. Não fará diferença alguma nos seus últimos dias de existência. Será como qualquer outro que já fora, a diferença será que deitei por vontade própria. Só passe por cima disso e siga em frente! É o melhor a se fazer.

Peço que avise os que tentarem entrar em contato comigo. Explique-os que os supostos compromissos que tínhamos, serão impossíveis de serem honrados doravante. Enfim, acho que é só o que tenho a dizer. Um abraço sincero para os que precisam de minhas despedidas.

PS: Mais explicações, leiam o terceiro capitulo de Jó.





domingo, 15 de janeiro de 2017

Devaneios, sinas e loucuras

Deserto. Incerto. Retrospecto. Sensação amena que me trás ao desespero inaudível, desse sábado opaco. Ver o sofrimento de quem realmente sofre, me faz sentir que a minha dor é frescura. Que minha amargura é sem causa. Que toda angustia alojada em meu peito é capricho. Me faz querer pegar aquela arma, colocar apenas uma munição na câmara, e ouvir o ferrolho projetar o percussor no traseiro desse projétil, ao passo que arregalo os olhos e deixo o corpo ir de encontro ao chão.


Agonia. Irritabilidade. Injuria. Sensações que me trás sua pirraça. Atina em mim uma vontade insana de te mostrar motivos para chorar. Um real motivo para sofrer. Não suporto seu choro, suas caras e bocas, e seu olhar de piedade por motivos frívolos. Me faz querer te fazer arrepiar, quando a lamina gélida e afiada da minha faca entrar em contato com sua pele sedenta.



Odeio quando te mostro algo significativo para mim, no intuito de te trazer para mais perto do meu mundo, e você simplesmente não da a importância devida. Não que seja obrigada, mas me irrita o descaso. Aguardo um comentário a respeito e recebo um silêncio, ou pior, um assunto fútil para o momento. Faz com que eu queira te levar ao alto daquele prédio, e ouvir o suspiro que soltará ao não conseguir agarrar em algo sólido, espatifando no asfalto, antes de uma linda BMW 320i deixar a marca do seu pneu em sua face.



Me corta o peito, te ver com os olhos cheio de água. Você ficaria linda chorando, se não fosse pela nuvem de tristeza nesse quarto. Parece um elefante abarrotando nosso ar, uma aflição se inicia quando você diz que está de partida. Quero tirar essa dor do seu olhar, do seu estar. Você costuma insinuar que não gosta de sofrer, e eu vou atender o seu querer. Uma honrosa e respeitosa morte, rápida e limpa.



Sexo. Fascínio. Loucura. Me trazem de volta a chama nos olhos. Quase sinto que devo existir para tal feito. Aperto seu pescoço, tapas em todo espaço saliente, mordidas em toda parte, te deixo com hematomas e um sorriso nos lábios. Em seguida, alcanço a faca na cabeceira da cama e o metal lhe deixa excitada, mas não tanto quanto a mim. E ver o fio da vida partindo e a interrogação em seus olhos é o que alimenta minha sina, quando liberto em meu cérebro a oxitocina.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

O último adeus

Na companhia de familiares e barulho de chuva me encontro em uma espécie de depressão. O amor pela vida se foi, não sei ao certo em que momento isso ocorreu, só sei que este "entusiasmo" não se faz presente. Ficar confinado em casa em consequência dos fatores climáticos é lamentável! Mas não é motivo para se sentir desmotivado com o todo. A falta de brilho nos olhos, aquele ar de esperança, a desmotivação perante a tudo me incomoda! Porém não encontro alternativas para prosseguir... Apenas sinto essa tristeza enorme sem um motivo plausível. Me sinto sufocado, prestes a ser consumido por um abismo sem fim. Na mesma proporção que não encontro saída para este labirinto, não sei como cai aqui. O mundo é estranho quando se ver daqui, nada faz sentido, nada tem graça! Até mesmo desejos carnais se tornaram chulos visto deste angulo. 
Peço perdão a todos que ficam, pela minha incompetência em encontrar tesão nesta jornada na qual ninguém sabe onde vai dar... Não encontro motivos para continuar dando "murros em ponta de faca" uma vez que tudo isso é em vão. Triste realidade dos seres humanos, preferem se iludirem com um "plano maior" do que aceitar a sua insignificância no Universo. E tem a audácia de se julgar superiores perante as outras especies. É, pensando bem em nossa existência à morte parece super atrativa, a vontade de permanecer dormindo invade os meus dias... E Após adquirirmos um certo grau de razão nos damos conta que a frieza anda junto com a primeira.
Se eu pular, será que vão me recolher logo do asfalto gelado, ou irão ficar me olhando e acompanhando à despigmentação de pele dos meus restos mortais, pelo fato de estar chovendo? Como se importasse... São apenas dejetos de mais um em meio a bilhões. 
Será que terei coragem para me lançar pela eternidade? Como o mundo é cinza para min, creio que sim, porém os que ficam não precisam de me ver aos pedaços. E odeio fazer espetáculos, então esta maneira de partir eu descarto!
No entanto, isso não inibe minha vontade de perder o folego (literalmente)... Veneno de rato também descarto, quero morrer e acabar com esse sofrimento silencioso, não torna-lo barulhento.
Só me resta a corda. Nó bem feito, altura considerável, acrescento um haltere de 40kg para não ter a oportunidade de cogitar desistir e me sentir um inútil pior, e pronto, adeus.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Mundos

Eu não estou conseguindo discernir qual é a realidade. É uma sensação estranha! Estou perdido em meus pensamentos, já não sei quais são as especulações, e o que de  fato acontece. Pode parecer meio vago, mas vou tentar te explicar o que se passa: suponhamos que haja dois mundos ( dois para simplificar e facilitar a compreensão de vocês, pois se prestarmos atenção a nossa volta, podemos perceber diversos), como podemos ter certeza em qual vivemos ? Como saber se tudo isso a minha volta é real? Devemos acreditar, mais uma vez cegamente, que este mundo de fato existe, apenas porquê aprendemos assim?


Para dar inicio ao que eu quero dizer, há um filme, bem interessante, que pode te ajudar a  acompanhar minha linha de raciocínio: Matrix - creio que a maioria já assistiu ou ouviu falar. Talvez, com a ideia que os irmãos Wachowski tetam nos passar nesta ficção científica do fim da década de 90, você consiga entender (ou não) o que eu quero dizer com "mundos". Algo que também podemos tirar como "base", são nossos sonhos. Enfim, como podemos saber se estamos "acordados" sendo que este mundo em que estamos, pode perfeitamente ser um sonho, ou uma experiencia que não deu certo, ou o início de uma, ou até mesmo um jogo (neste caso, quando digo jogo, tenhamos a ideia de um video game mesmo), consegue me entender ?



Agora que você já provou um pouquinho dos assuntos conturbados que passam em minha mente, podemos seguir adiante. Vou pegar um livro, O leitor, quando inicia uma leitura, desperta o mundo que esta em suas mãos. E uma coisa engraçada, é que mesmo que os autores dos livros não se "conheçam", de maneira alguma, parece que todos os livros estão ligados, acontece isso com você também ? Assim como a gente no universo: somos como teias de aranhas, já sabemos que tudo tem causa e reação, devido a este fato. Parece que no mundo dos livros também funciona assim. O que de fato me intriga (mais uma vez, deixo claro que é apenas um exemplo, e o que estamos tratando aqui é a forma em que eu estou pensando ultimamente), é a ausência de algo (ou alguém) que possa afirmar que o mundo em que nós vivemos é verdadeiro, enquanto o mundo em cada livro é "falso", usando aqui os livros de fantasias, para ilustrar a magnitude dessa "verdade".



Nós não sabemos qual é a verdade, qual mundo é o certo... Tudo é só duvida! É até difícil colocar exclamação no fim de uma frase. Talvez, este seja o motivo no qual algumas pessoas gostam de chamar esta pontuação de "ponto de admiração". Parando para pensar, é admirável ou cômico, o absolutismo que nos cerca. Você consegue entender ? Você ao menos consegue me ouvir ? Eu estou gritando, mas você nem se mexe, não me parecer que esta ouvindo... Será que estamos no mesmo mundo ?



Existe outro alguém que se encontre na mesma situação ? Se tiver me procure, me ache, me diga, não me deixe sozinho. Eu estou enlouquecendo... E parecer que estou só, agrava a meu estado. Se eu não estiver só, então você sabe que isto não é verdade, e mesmo assim vai me deixar afundar  na "insanidade"?Você pode pensar que isso é verdade, e tudo isso, rola mesmo dentro da minha cabeça: e o motivo por detrás destes pensamentos, é que eu estou ficando doido, ou algo que o valha. Mas tenho quase certeza, que você irá achar mais viável fingir que esta tudo bem e voltar para o "seu" mundo. Ou devemos chamar de realidade fictícia  ?

Lago verde

O sacolejar das pequenas ondas que surgem, influencia deste mini eco-sistema criado. Os peixes nadam de forma desordenada, como se não tivessem explorado cada canto deste lago. Aquela pequena carpa-dourada, hoje não se intimida com as demais, pois já se tornou parte da família. A quantidade de musgo que foi surgindo nas pedras, que ao ver dos peixes (imagino), parecem rochas onde eles podem diminuir ou aumentar o efeito das quedas d’águas.     Tudo é questão de pondo de vista! Para mim, ser que se encontra fora da água, é algo magnífico. Porém, se fosse eu um dos peixes a nadar, odiaria essa limitação impostar por um reles mortal.  Ainda bem, creio eu, que eles não têm consciência de sua existência, são simples exploradores que em cerca de duas horas já esqueceram o caminho que percorreram.     Agora, eis que surge a dúvida. Será que nós temos, de fato, total consciência de nossa existência? Como os peixes, poderíamos ser apenas mais uma massa de manobra de seres superiores, onde o nosso “vasto” eco-sistema -na visão deles- é algo semelhante ao lago no qual observo. Seria muita “viagem” de minha parte? Creio que não. Nós humanos temos convicções/pressupostos que gostamos de carregar e agarrar ao longo da vida, porque não séculos. O fato é que não sabemos qual é a nossa real posição no cosmo. Temos em vista que tudo se tem ligação e possuímos teorias que comprovam isto! Porém ousar dizer que somos seres independentes seria muita presunção.     Após mais uma reflexão (talvez banal), sou obrigado a retornar a “realidade” melhor dizendo: para o tempo linear. Lugar este de muito verde, barulho de água e calor humano. E poder presenciar algo tão esplêndido que o homem pode criar, me trás o sentimento de gratidão neste fim de tarde. Sinto em dizer que tenho pena dos peixes e de vocês, por vocês não poderem se deliciar com o meu ponto de vista.

Só sobreviver

Existe um tipo de cansaço que não se explica. Não é o cansaço do corpo depois de um dia longo, nem o sono acumulado de noites mal dormidas. ...