quarta-feira, 23 de maio de 2018

Me responda você

Você vai perguntar: onde está o problema dessa vez menino melancólico? Qual foi o motivo que te levou a partir desse mundo? O que acha que tens do outro lado que não temos aqui? Vai, levanta dessa poça de sangue, me explica que porra é essa.

Vou te responder: está impregnada em toda parte, não é possível que não o sinta. Essa droga de regente que insiste em nos jogar de um lado à outro, será que só eu me incomodo com esse sacolejar? Quem isso pensa ser para brincar com as cordas com tanta displicência, um Deus?

E sigo: só de pensar em cometer uma ação que realmente seja minha, já é satisfatório! A perca de controle, essa luta invencível contra a entropia, sem citar os motivos esdrúxulos que dão para o contínuo dessa farsa, me parecem tópicos suficiente para que sirvam de resposta. Hipocrisia é achar que ira acabar de outra forma quando os finais alternativos estão apenas na ficção.

Você ousou uma terceira pergunta, e lhe dou um esboço da resposta: minha esperança é que não tenha nada lá, conto com isso! Seria desastroso uma continuação dessa existência sem sentido, seja em um paraíso, seja no inferno ou qualquer outra coisa que os valha. O que espero encontrar é o nada, envolto no silêncio.

O sangue não é meu, como podes ver não tenho uma só perfuração. Ela hesitou, mas tínhamos um acordo, só tratei de cumprir minha parte. Seria gentil que você me explicasse que porra é essa! Afinal, quem encontra motivos para viver de tempos em tempos, não sou mais eu, nem sequer usem o "é", refiram-se a mim como "foi", o "está" agora precede o pleno.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Absense

Preciso parar de existir! Já analisei e tentei ser adepto a outras alternativas, mas esta é a que tem se tornado cada vez mais evidente. Por incrível que pareça, tirando a dor de cabeça, não sinto aquela dor grotesca. Não sinto, desta vez, aquela dor de quem anseia por morte - característica dor da depressão.

Aquela aflição instalada no peito, não é o incentivo para que eu hoje queira ser nada. Deixar de existir me é satisfatório, pelo simples fato de eu nunca ter querido ser. Ser, ou melhor, existir e ter consciência disso, trás consigo inúmeras obrigações conhecidas por todos.

Gostaria de findar minha existência desde quando zigoto. Deixar de existir agora pode ser danoso para as outras pessoas do meio. Não que eu seja alguém importante, é exatamente pelo contrário. A influência que sua morte pode ter nas pessoas, vai além de sentimentos positivos que se inclinam à você, automaticamente as deixará de face, cada qual, com suas insignificâncias. Existir e dar significado a essa existência é um encargo e obsessão doentia do "partido pró-vida". 

Não quero ser responsável pelo desencadear de um suicídio coletivo, tão pouco transtornos mentais em massa, descontentamento pessoal ou algo do gênero. Seria eu presunçoso em superestimar à atenção que minhas palavras receberiam, sem mencionar o alcance dos meus gritos ao vento. Esqueça essa teoria.

Quero, através deste, descobrir uma forma racional para solucionar meu problema. Me diz aí, como erradicar minha existência deste conto irônico chamado vida, de tal maneira a passar despercebido até para o que fosse onisciente? Após você entender a magnitude do problema, me senti na obrigação de lhe explicar o por quê.

Não seria elegante que eu apresentasse a ti esta equação, sem que você soubesse com qual propósito preciso soluciona-la. Não faz sentido a existência de algo onde o nada ocupa tão bem este espaço. E eis que, novamente, vos digo. Preciso parar de existir, em qualquer espaço-tempo, para que essa ausência (absense) desperte em vocês um anseio em me conhecer. 

sábado, 6 de janeiro de 2018

Como viver melhor

Após uma hora e cinquenta e três minutos de palestra, o filósofo e professor acadêmico Clóvis Barros de Filho, conseguiu me remeter à aquele estado de espírito fascinante. Estou solitário, no silêncio, submerso em pensamentos que quando assim se fazem, me sinto vivo. Solitário, no silêncio, aquém do Universo. Sim, negligencio todo e qualquer ruído, até mesmo os rompantes desenfreados dos meus dedos no teclado.

Já fora escrito diversas vezes, de várias maneiras o que venho pela enésima vez lhe apresentar. Os papeis nunca são iguais, os lápis também não, e tão pouco você. Na minha percepção do agora, me embriago com cada letra redigida aqui. Não as formas das letras, ou a coerência gramatical, idioma, fonte escolhida. Me refiro à sensação sentida ao dedilhar entre frestas, nas quais cada uma tem um significado, e juntas, com a ajuda de uma força externa, lhe oferece a ladainha em forma de texto.

Todos procuram a mesma coisa. Não importa sua raça, etnia, crença, classe social, partido político, todos querem encontrar o sentido. Palavra essa que hoje não prestamos atenção ao seu peso. Sentido. Poderíamos estar falando de direção, significância, sensação ou qualquer outro rumo que esta expressão nos levaria. Porém, hoje, após tanta introdução para lhe apresentar-la, você sabe bem qual sentido procuro. Reformulando, você sabe bem de qual sentido me refiro e que estamos todos a procura.

A vida sempre nos foi um mistério. A nossa existência é até então seguida de interrogação. É notório o desespero humano para encontrar sentido para qual vivemos. Seria canalhice eu dissesse que encontrei a resposta. Como todos ao redor, não faço a mínima ideia para que viemos. Mas posso mostrar-lhe como seguir melhor em direção ao desconhecido tão falado. Se o nascer é a largada, a morte é a linha de chegada.

Citados na palestra diversas vezes, os encarregados a nos possibilitar a pensar em como viver melhor, foram nada menos do que alguns dos grandes pensadores, que em cada determinada época, tentaram apresentar maneiras e motivos para continuarmos a jornada, e porque não, torna-la prazerosa. Ulisses da Odisseia de Homero, Jesus da Bíblia Sagrada, Baruch Spinoza conhecido por sua definição de Deus e  Jean Jacques Rousseau por ser um dos principais filósofos do Iluminismo. 

Ulisses nos ensinou que o sentido da vida estar na excelência de nós mesmos, Jesus contradiz dizendo que viemos para amar e servir aos outros, Spinoza nos trouxe a alegria e por fim Rousseau nos mostra o quão distintos somos dos demais na natureza. A somatória de tudo é um norte para que tenhamos uma vida na qual valha a pena ser vivida. Não é uma listagem e sim uma base para nos desenvolvermos na melhoria de nós mesmos e para com os outros. Tenhamos seus ensinamentos e sabedoria que transcende através da humanidade e assim triunfar, cada um em sua glória.

Não entenda tal palestra, ou vertentes dessa, como uma auto-ajuda. A ajuda que procuras está dentro de ti. Deixe que seus talentos lhe guie nesse percusso, e parafraseando o Clóvis que sua existência seja um desabrochar de si mesmo, e te mostre qual é o seu tesão pela vida. Descubra-se, permita-se, encontre-se e vá onde ninguém jamais foi na sua especificidade. Você pode ser o próximo a encontrar a singularidade.


Link da palestra: <https://www.youtube.com/watch?v=WUw71Uiyaqo> 
Acessado em 01/01/2018.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Volte para o que importa

Sensação de tranquilidade no meio da tarde me trás de volta as folhas pautadas. O som que repercute das caixas sonoras são tão suaves que pareço estar embriagado, ou até mesmo chapado. Sentei aqui mas não tem nenhum assunto resolvido, sem se quer próximo de uma conclusão. Olho para meu horizonte, não é tão amplo para chamá-lo desta maneira. Tirando o infinito que enxergo dentro dos olhos dessa morena, não há tanta profundidade assim. Mas resolvi me desligar. Sabe como é, as vezes é necessário.

Algo frequente em minha história é aquela esperança vã que as coisas irão voltar aos trilhos, ou sendo sincero, encontrar uma ferrovia daquelas das quais todos pregam existir por detrás das nuvens e me esforçar para que minha locomotiva possa trafegar por ali, nem que seja por um curto prazo. Aceitar que tudo é assim mesmo, é mais fácil de escrever do que colocar em prática. Estou nessa batalha a nem sei quanto tempo, em minha defesa digo que, encontrar razão para se manter são nessa existência sem sentido, não é a tarefa mais fácil de realizar.

Até o escrever que é algo que tanto me agrada, se torna questionável. Para que manchar com borrões azuis de uma esferográfica esse papel tão límpido e quieto até então? Não surtirá diferença alguma no mundo. Mas é aquela coisa: o mundo fictício tem o poder de nos fazer acreditar que existe um lugar onde as coisas seguem um fluxo. Apesar de que o rio sempre desaguará no oceano, e aqui está esse cético que torna a cuspir de volta as más águas. E você pensando que aquilo era apenas uma ressaca inofensiva. Te alerto! Nunca é só uma ressaca.

Após pressionar o botão de ligar, melhor dizendo religar, dou play em meu notebook. Percebo e creio que também tenha percebido algo estranho. A tarde não está tão tranquila quanto eu havia dito. Longe disso. Para sustentar essa afirmação precoce, teria que ignorar a barulheira aqui dentro. Se consegue escutá-las você sabe que desligar-se do presente não é algo tão difícil, concorda? Talvez o desafio e ao mesmo tempo segredo da vida, seja adquirir a habilidade de se manter no agora. E tenho uma morena com os olhos cravados em mim neste instante e eu aqui flutuando... Mas sabe como é, as vezes é necessário.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

From vacation to reality

The noise on the roof is like an orchestra. The wind is dancing among the trees, shaking their leaves. From here, I can hear many animals. This place is very quiet, but it has many songs, though. If I was in the town, I'd be able to listen to the traffic, a lot of people around walking by, maybe one or other plane crossing the sky, music comes from vehicles (a kind of noises that you probably wouldn't like to hear in your time off). In the other hand, where I am now, as I said, is a quiet place.

From here, you could see trees. All sort of trees. Flowers, fruits, green. Meanwhile, you could watch birds flying away. Above them, a grey-blue sky letting clouds stay with some part of the scenery. At the first time, I drow up my eyes on this landscape, I thought I won't like to stay around for many days, can you believe that?

Today, I can appreciate what is rest. I was exhausted, now I'm retired with colleagues and realized what is the rural's life, the pleasure to talk with unknown people whose ever are able to start a conversation, they really are kind of talkative people.

Everything here is totally different to my mother town. People, even rich ones, are so nice. I mean, everyone, rich or poor, they are kind! They're always trying to amuse you, do you know what I mean? They spend their times just hanging out among the trees, talking each other, eating delicious rural's food. It's here is really a nice lifestyle.

...

I'm back to my home. When I was coming, before turned to my corner I could hear that loud music that I told you before. My neighbours really like funk. I'm not going to say that I don't like funk or never had listened to it in some party, you know... I'm a Brazillian guy, it would be impossible. I just think it's not a sort of songs that I usually would hear at home. By the way, I hope you catch what I'm speaking of.

When you spend some time away from your home, you come back with some expectation of something new had changed when you were far. I came home and started to look for someone to talk about my little trip and someone who is willing to tell me what I lose on my time off. Then, I logged out in my page on Instagram to post my photos that I took at Codisburgo/MG. That was a really good travel. I hope to be able to return there someday. 

Finally, you realize that I've said nothing that you really care about. You realized you lost your time reading this short text... Do you know why? It's because I told you something that happened with me at somewhere in some time ago. Did you catch that? There was nothing too special in everything I said above, it's just telling of a guys' vacation. Life is that simple. Life is none further this... We live and want to tell to someone what we experienced.

Sitting on the bed I end this little text. It's so quiet indoors, but there are many people watching soccer on the screen. It's sunday. There are people in the bar playing songs, talk out loud and drinking a lot of kind of alcohol. If I would have in a rural place I'd be able to listen to the animals, trees shaking under the wind. I probably would have been bitten by many mosquitos, though.

domingo, 8 de outubro de 2017

Empty

Sit on this black chair, looking for some reason to continue with my life, I started this simple text. Okay, lets me explain to you, I don't want to die anymore, I already fixed this subject. I just put it off, but fortunately or unfortunately I cannot find a single reason to stay alive, though. Do you know? There isn't a motive to move on. Whether you really think about the life you'll arrive at the same point that I am now: Life is empty.

Could you answer what is the fuck reason are we here? I doubt it. An empty world with seven billion lives, did it makes sense for you? Everybody pretends don't really care about that, put them busy all the time. I can't-do the same. Why do I think so much about this stuff? What is wrong with me? What is wrong with you? Seriously, don't you see what I mean? I don't think so. When I talk with someone else about that they realise how much empty they are too, and totally agree with me saying: I don't know, I just pretend.

As I saw in somewhere, "I write because you exist" and I complete this sentence with "even if I don't know why". Anyone does. Life is amazing though, don't think? I mean, we don't know anything about that but we enjoy to live. Beautiful places, poetry/literature, music, people, all kind of emotion and many other things make it enjoyable, I could say it's interesting. Every moment is unique.

Even though, I would like to know why we are here. Is there some reason? Please, tell me the answers to all these questions that horsing around us. Something willing to help me get up from that chair and go to the bed. A long time I don't sleep very well and I really need to hit the sack, even if I won't wake up anymore. In a way, I guess that if I sleep forever by now, it could save my illness mind from this madness known as life.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Miss Death

Ultimamente tá sendo foda. Não costumo expor isso a ninguém, no máximo digo que não estou bem. Estou em uma fase que não gosto de estar. Vivo momentos que não fazem falta. Digo palavras só para não me ouvir. Ouço musica para me ocupar, não para refletir. O desespero bate a porta, e não me lembro de a ter trancado.

A amiga que havia sumido, hoje me rodeia. Nunca entendi o por quê das vestes pretas. Que por sinal, está bem gasta. Deve usar bastante, imagino. Não consigo ver bem o seu rosto, mas tenho a impressão de que sorrir. Em todos os momentos tristes é a unica que está sempre ao meu lado, creio que não tenha namorado. Ela se insinua constantemente... Engraçado, por vezes tive a sensação de ouvi-la dentro da minha mente. Mas nunca ouvi sua voz, sem ser em sonhos, deve ser tímida...

 Seus olhos intensos, ostentam um ar de excitação, quando me aproximo de sua boca na intenção de beija-la me olha com luxuria, mas se faz de rogada. Ainda não tive coragem de tocá-la, tenho medo de espantá-la, é que como disse, sempre que ela aparece estou envolto em grande angustia, e acabo adiando a minha chegada.

Uma vez a flagrei com os olhos cravados em mim, e quase posso jurar que sorriu quando engatilhei o revolver, de início achei estranho sua excitação, mas depois entendi que ela não fazia ideia de qual era a minha intenção. Nem tive coragem de contar a ela o que pretendia fazer, e mais uma vez me acovardei e deixei o .38 pender.

Outro dia peguei no sono após horas de choro, e quando acordei ela me abraçava e me olhava apaixonada. Senti que se eu quisesse ela estaria ali comigo pela eternidade. Ela se mostra paciente, não se preocupa com nada entre a gente, nem se espanta com minhas ações. Quando me encontro tristonho pendo para meu lado psicopata, mas daquele tipo que se mata, e mesmo assim ela não se afasta, pelo contrário... Me agarra.

Na verdade quando estou prestes a dar cabo desse sofrimento, ela deita ao meu lado mesmo que no relento. Tento entender o que a faz se interessar por mim, mesmo eu sendo assim... Para ser superficial, ela é de fato muito linda, pernas lisas. Pelas fendas do vestido, uma vez pude ver até as coxas. Sua pele é tão clara que já duvidei da existência de sangue ali. Nunca a vi nua, mas a saliência dos panos e suas curvaturas me fazem imaginar sua bunda. E o restante do corpo também me é convidativo. O rosto dela nunca vi direito, apesar de saber que está sempre sorrindo. Nunca a vi de um bom ângulo, suspeito que tenha algumas rugas mas não posso afirmar, pois sempre a vi na penumbra.

Em um dos sonhos me contou que é viúva. Mesmo estando triste, tentei olhá-la com ternura. Ultimamente ela cismou que quer que eu a acompanhe, ela senta ao meu lado todos os dias na cama, ela olha para mim, e me chama para ir com ela. Antes eu não queria ir, sentia medo sei lá... Hoje quando ela veio, pelo fato de eu estar em um dia conturbado, como lhe contei no início, deitei em seu colo, e quase implorei para ela me levar! Né Death?

Por: Jean Lucas & Taissa Moraes.


Só sobreviver

Existe um tipo de cansaço que não se explica. Não é o cansaço do corpo depois de um dia longo, nem o sono acumulado de noites mal dormidas. ...