domingo, 29 de janeiro de 2017

Quinto Elemento

Você diz querer viver um amor daqueles de cinema, mas não se esforça como nas telas. Finge querer-me, mas me deixa ter saudade de ti. E onde há saudade morena, não há afeto, deixando me à desejar e causando descontentamento, nesse relacionamento que hoje se tornou ameno.


Realmente te quero como expresso, porém, não se for disperso. Pedi que viesse em minha direção, para diminuir essa negativa emoção. Como se não lhe importasse, deixou me jogado, como um brinquedo velho. Não serei mais sua animação, pois está fechado o parque de diversão.



Tentarei me acostumar a sua ausência, mesmo que bata desesperadamente a carência. Não posso mais suportar, e nem mereço, ficar apenas a te desejar. Me esforçarei para superar essa fase, mas temo que haja junto à crise um impasse. Não à julgo, nem quero confirmações - ou pior - se permita manipular à verdade, dizendo com bondade.



Por fim, te agradeço por esse período que, devido aos momentos lembrarei com carinho, levando até mesmo em conta, sentimentos expressados que algumas vezes vi sair de seus lábios. Não nego meu sentimento, mesmo que me sufoque de início esse tormento. Por isso lamento o fim desse relacionamento que, por momentos, acreditei se tratar do "quinto elemento".

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Não passa de Eros

Sempre defendi que o maior obstáculo da vida, não é o perigo. É o tédio. Vivemos tentando nos disvencilhar desse sentimento. Você pode fingir plenitude, no entanto os realistas dos quais você tanto foge, vão jogar ao ar e te mostrar o quanto simula ser inteiro. O mal do século é oriundo desse desprazer.


A beleza profunda que vejo em suas lágrimas é o que me mantém. Vivo um dilema, onde quero continuar enxergando seus olhos e ao mesmo tempo não quero vê-lo maranhado em sua angustia. Pois, dizem que os olhos são o reflexo da alma. E se à temos, devemos mantê-las intactas.



Sei que a humanidade é triste e, infelizmente, é o que à move. Você olha como se me visse, porém não consegue de fato me enxergar, pois os seus gritos internos reduzem o efeito da sua percepção. Se pudesse me perceber, quando olha para dentro de mim, não sei se conseguiria ter próximos momentos felizes. Eu, como protagonista dessa trama, já me acostumei com essa falta de "brilho".



O Deus do tempo com sua entropia, organiza as cordas como uma menina de doze anos ao ajeitar seu quarto. Acaba perdendo o "fio da meada", e nos joga como um nada em vidas das quais não queremos viver. Seguindo a lógica, será que vivo? Incertezas que nos entristessem e nunca se imudessem. Até isso atenua a sua falta, você é o "entretenimento" que cala as vozes acumuladas.



A carência tem sua origem. Quando se é bombadeado com ausência, é lamentável a displicência acometida pela matriz. A minha impetulância vem como forma de vingança, pelos mal tratos fraternos. Até entendo, porém corroe como ferrugem, não os terem por perto. Coincidentemente a obra 'Anjos da Noite' jogou ao heyoan a verdade que o amor philos sofre em sua existência: "Talvez seja a maldição dos pais, errar com seus filhos". E primitivo como sou, busco tapar essa fissura, acoplando você, como um remédio. Para exterminar a dor.



Expresso-lhe o que sinto, faço sem maldade de obter de volta. Sinto porque quero, não quero evitar o meu querer. Te querer é o que me move nesse instante, por isso é tão triste. A reciprocidade que falta é perceptível, você tenta disfarçar, mas não tem como esconder de algo que é verdadeiro. E como não existe meias verdades, você é o oposto. Gosta de estar comigo, porém ainda pensa no próprio umbigo, me deixando a parte nesse labirinto. Incubido de trazer felicidade para um destinatário sem querência.



É notório o adeus sem empatia, a falta de vida que se deposita em mim. Eros fica cada vez mais evidente, atrávez deste desejo sem precedente. A falta é o que o alimenta, por isso me deixo levar por essa tormenta. A chuva lá fora, é o estado em que minha alma se encontra. Por mais negativo que seja, é uma forma de me alimentar, nem que seja o meu lado destrutivo, só assim chegarei a um destino.



Encontrei o meu estimulo, e temo que o perca, te perca. No fundo, sei que é inevitável o término. Pois tudo tem um final, e é necessário que se cumpra o ciclo, para não haver um cataclisma.

E te peço, me sinta. Antes que eu a use para sentir. Infelizmente, o meu tédio só é entretido dessa forma.


Mindflow em Break Me Out quase consegue descrever com suas palavras, simples e objetivas, e talvez lhe faça sentir o que habita em mim. Escute! Mas realmente o faça, não execute outro fazer na companhia dessa canção. Você sabe que meus dizeres são destinados a você, e te deixo com aquela frase clássica: "Carpe diem, quam minimum credula postero", é o que eu resolvi seguir. E é claro, sem esquecer que "memento mori".

domingo, 15 de janeiro de 2017

Devaneios, sinas e loucuras

Deserto. Incerto. Retrospecto. Sensação amena que me trás ao desespero inaudível, desse sábado opaco. Ver o sofrimento de quem realmente sofre, me faz sentir que a minha dor é frescura. Que minha amargura é sem causa. Que toda angustia alojada em meu peito é capricho. Me faz querer pegar aquela arma, colocar apenas uma munição na câmara, e ouvir o ferrolho projetar o percussor no traseiro desse projétil, ao passo que arregalo os olhos e deixo o corpo ir de encontro ao chão.


Agonia. Irritabilidade. Injuria. Sensações que me trás sua pirraça. Atina em mim uma vontade insana de te mostrar motivos para chorar. Um real motivo para sofrer. Não suporto seu choro, suas caras e bocas, e seu olhar de piedade por motivos frívolos. Me faz querer te fazer arrepiar, quando a lamina gélida e afiada da minha faca entrar em contato com sua pele sedenta.



Odeio quando te mostro algo significativo para mim, no intuito de te trazer para mais perto do meu mundo, e você simplesmente não da a importância devida. Não que seja obrigada, mas me irrita o descaso. Aguardo um comentário a respeito e recebo um silêncio, ou pior, um assunto fútil para o momento. Faz com que eu queira te levar ao alto daquele prédio, e ouvir o suspiro que soltará ao não conseguir agarrar em algo sólido, espatifando no asfalto, antes de uma linda BMW 320i deixar a marca do seu pneu em sua face.



Me corta o peito, te ver com os olhos cheio de água. Você ficaria linda chorando, se não fosse pela nuvem de tristeza nesse quarto. Parece um elefante abarrotando nosso ar, uma aflição se inicia quando você diz que está de partida. Quero tirar essa dor do seu olhar, do seu estar. Você costuma insinuar que não gosta de sofrer, e eu vou atender o seu querer. Uma honrosa e respeitosa morte, rápida e limpa.



Sexo. Fascínio. Loucura. Me trazem de volta a chama nos olhos. Quase sinto que devo existir para tal feito. Aperto seu pescoço, tapas em todo espaço saliente, mordidas em toda parte, te deixo com hematomas e um sorriso nos lábios. Em seguida, alcanço a faca na cabeceira da cama e o metal lhe deixa excitada, mas não tanto quanto a mim. E ver o fio da vida partindo e a interrogação em seus olhos é o que alimenta minha sina, quando liberto em meu cérebro a oxitocina.


domingo, 20 de novembro de 2016

DEUS SEGUNDO ESPINOZA

As palavras abaixo são de Baruch Espinoza - nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. 
        
Reflita...



"Pára de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! 
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso? Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única que precisas. 
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: viva como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. 
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tenha certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. 
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. 
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar. 
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato?Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar. 
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. 
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro, aí é que estou, batendo em ti."

Sinônimo de paixão

Como uma simples frase pode mudar meu estado, tento me importar o quanto menos com o que é dito por outros. No entanto, há determinadas pessoas e frases que são inevitáveis o refluxo. Digo. Tento não deixar, mas essa desgraça passa a importar. O Ser humano é só! Por mais que, tem quem diga o contrário, o ser humano é solitário. Há pessoas que, afrontando o pensamento lógico, deixo entrarem em minha vida e acabam se tornando seres necessários. Importantes. São causa de grandes males, pois passam a coexistirem junto a meu cotidiano, e começo a apostar/creditar muito nelas, superestimando-as até tomar bordoada. Aí, já é a fase em que o bobo que rege a corte, já está apaixonado e tem uma especie de consideração pelo réu. Não revido, apenas remôo. 

Frases que, hipocritamente não gosto de ouvir, são piores que uma canelada na costela (sei do que estou dizendo!), no entanto, são necessárias para evoluirmos! Amo pessoas sinceras, me fazem crer que a humanidade ainda tem salvação. Ser franco é, muito das vezes confundido como rude, lamentável a sociedade ser tão acostumada a maquiar os dizeres. Coitados. Assustam quando lhes são dito a verdade de forma direta. "A sempre uma loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura..." Acho que Nietzsche tinha razão!  Quando se ama é demasiado normal, mas levando em conta o que disse no início, é loucura amar alguém! Neste momento, entra o paradoxo imposto por Nietzsche, pois há um pouco de razão na loucura, você pergunta: como isso é possível? Eis que lhe respondo, a loucura está nos olhos dos terceiros que se julgam sãos. Logo não passa de ponto de vista.

Outro ponto importante é o que o amor nos causa, esse nos faz querer agradar outro ser, e imaginar a eternidade. O tempo imposto para nossa trajetória não é o bastante, queremos mais, queremos mais tempo para jogar fora com a amada. Ainda bem que o cotidiano existe, senão estaríamos perdidos, cada um perdendo o tempo amando sem ter certeza de ser amado. Jogo tais palavras em seu campo de visão e você pensa que sou amargurado, errando! O que disse é a verdade, mas como todos somos hipócritas, ignoramos a sanidade e amamos o próximo. Costumava viver minha vida a noite. Vivi por muito tempo nas sombras... Mas após surgir certas pessoas em minha vida, uma luz se acendeu! No começo me assustou, a luz era tão brilhante que ofuscou minha vista, depois se tornou parte do todo! Sei que não devo te ver como minha salvação, afinal você está tão perdida quanto eu, mas enquanto estiver ao meu lado sinto que conseguirei enxergar a minha luz, ou seja, você desperta o melhor que há em mim.

Quando se tem a noção que tudo vai dar certo, esperamos com uma certa expectativa. E quando nos é cobrado algo, muito das vezes, queremos mostrar o nosso valor. Nesse momento é que nos vemos a beira de um precipício, onde tomamos um folego e olhamos uma última vez para o horizonte, antes de saltar. Passamos por uma espécie de insight, pensamos em tudo e no nada em questão de segundos... É uma das melhores sensações que já senti, e gosto de sentir quando possível. É lamentável quando esse pequeno momento que descrevi de uma forma extensa, é arrancado de mim. Você me levou para o alto da montanha com seus dizeres, me fez imaginar a sensação de pular nesse abismo, e do nada, com atitudes estranhas me afasta de ti. Dizes que me queres por perto, mas não faz questão da minha presença. Me faz sentir-me seu confidente, porém me exclui dos seus conflitos! Fico feliz que tenhas alguém para partilhar e refutar suas confusões além de mim, mas como um ser vulnerável que me tornei após a sua chegada, me sinto um pouco enciumado. Sei que é ridículo, mas sinto.

Agora lhe pergunto, porque teve que me iludir, não bastava o olhar penetrante e o sorriso sedutor? Tinha que me fazer sentir que eu poderia ser o ser que lhe faltava? Já havia contrariado a lógica, ignorado meu lado racionalista, e apostado tudo nesse romance. Paixão é algo que nos deixa embriagado de ignorância, e mesmo assim queremos outra dose. Agora o meu Eu me puxa a orelha e diz aquela famosa frase de quem sempre esteve certo: "Eu te avisei, não se apaixone por ela...". Mas a droga do meu coração, sempre com rebeldia e birra do cérebro racional, me faz tomar caminhos com finais. Por isso, e outras coisas mais, é que gosto da solidão. Ela não me ilude, apenas me diz a verdade, mesmo que esta seja como fel. 

Volto à dizer, o ser humano é só! E por mais que tenha quem diga o contrário eu saliento que somos seres solitários. Há momentos em que partilhamos com os outros, mas não passa de duas solidões coexistindo. Não passa da famosa "solidão compartilhada". É devido a solidão que nós sempre queremos estar com alguém, digo, alguém que valha a pena, e isso me remete ao ponto em que fecho os olhos e me imagino cheirando o seu pescoço, quase posso sentir o cheiro da sua pele, aquele cheiro, lembra? Infelizmente ou felizmente, estou novamente na beirada daquele precipício e não me sinto só, dessa vez apenas respiro fundo e me deixo cair. Após um turbilhão de pensamentos e sensações, eis que surge uma pergunta que a tempos me rodeia: Namora comigo?



terça-feira, 25 de outubro de 2016

Carta sobre a felicidade (à Meneceu)

 Epicuro envia suas saudações a Meneceu.

  "Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la. Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.
  Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem-aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade.
  Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses, ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que seja diferente deles.
  Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efémera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade.
  Não existe nada de terrível na vida para alguém está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver. É tolo portanto quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.
  Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida.
  O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal.
  Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.
  Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas também porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente viver e em honestamente morrer. Mas pior ainda é aquele que diz: bom seria não ter nascido, mas, uma vez nascido, transpor o mais depressa possível as portas do Hades.
  Se ele diz isso com plena convicção, por que não se vai desta vida? Pois é livre para fazê-lo, se for esse realmente seu desejo; mas se o disse por brincadeira, foi um frívolo em falar de coisas que brincadeira não admitem.
  Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.
  Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo.
  Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo, não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.
  É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer e dor.
 Embora o prazer seja nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. Portanto, todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas. Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e dos danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem.
   Consideramos ainda a auto-suficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.
  Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.
  Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temor as vicissitudes da sorte.
 Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de urna mesa farta que tomam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos. De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade.
  Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas. Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanhara a censura e o louvor?
  Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do destino dos naturalistas: o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos deuses através das homenagens que lhes prestamos, ao passo que o destino é uma necessidade inexorável.
  Entendendo que a sorte não é uma divindade, como a maioria das pessoas acredita (pois um deus não faz nada ao acaso), nem algo incerto, o sábio não crê que ela proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática, é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um projeto mau.
  Medita, pois, todas estas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais."

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nunca é o que parece

A incerteza paira sobre min, porém hoje me sinto estranhamente vivo. A razão desconheço de fato, mas algo mudou e gostaria que continuasse assim. Será que é por eu ter me reencontrado lendo um drama jovem-adulto? De fato, adoro esse tipo de história. Quando se trata da fase juvenil no século XXI, com os protagonistas habitantes da América do Norte ou no território Europeu, desperta em min um certo encanto! A cultura me fascina. Mas aquela incerteza ainda esta lá, tento ignorá-la para que eu possa continuar com vibrações elevadas, parece estar funcionando. Tenho medo que esse "estar vivo" consigo, traga aquela insana vontade.

 Só de pensar sinto meus instintos se aguçarem como se uma fera fosse, como se essa fera tomasse conta de min, desejando saciar sua sede. Admito que amo essa sensação, sinto que estou no controle e compreendo melhor o meu ser. O infortúnio é à legislação que trata pessoas da minha especie como bárbaros, como se nunca houvesse tido desejos semelhantes. Entretanto não executam, com receio dos fatores seguintes segundo as suas leis. Hipócritas, não admitem serem animais, mesmo que racional.

Eu praticamente invejo quem tem tanta certeza de algo. As vezes temos "certeza" que fulano é inofensivo, e creditamos confiança. Até nos depararmos com o seu verdadeiro eu, e percebemos que ele é apenas mais um animal sedento por sangue. O sangue quente entre seus dedos e sua pupila dilatada - efeito da excitocina. Como se pode ter certeza em um mundo de seres incertos? Não o culpo por querer sentir que está vivo... Uma sábia e velha senhora, uma vez proferiu os seguintes dizeres que, guardarei e usarei como guia em minha trajetória: "confie naqueles que buscam a verdade, mas duvide daqueles que dizem que a encontraram." Talvez seja por isso que, simplesmente não consigo desapegar desse "agnosticismo" em relação a praticamente tudo na vida e me simpatizo com maestria com à tal filosofia. Pensamento as vezes benéfico, outrora nem tanto. Minha vó tem o dom de causar essa costumeira sensação de vazio na gente. No entanto, quando à indaguei qual seria o sentido da vida, eis que ela me responde que é viver, contrariando o meu modo de pensar. Forma sutil e complexa de se responder. 

Sinto em dizer que desconheço quem vive, conheço apenas sobreviventes desse mundão. Somos obrigados a pensar igual, a ter padrões, a coibir nossos desejos mais íntimos e a contracenar nesse perfeito mundo regido pelo acaso, mero absurdo. Afinal tudo provém dessa origem. Portanto, somos todos forçados a atuar, deixando de lado o viver. Quando escrevo, faço porque quero, faço porque sinto e sinto porque supostamente estou vivo. Você é a razão na qual eu me sinto vivo, mesmo que perambulando pela morte. Porém devo salientar que, para uma pessoa que não vê graça em nada e consegue encontrar um outro alguém que, apenas por existir, dê sentido para a primeira continuar... É algo extraordinário. Ideia um tanto quanto absurdista. Mais absurdo seria se eu à quisesse tanto em meus braços, mas dispensasse a vontade de ter sua vida/sangue em meu poderio. Devido a lei do homem, volto a afirmar: não vivemos, apenas sobrevivemos na falta do que seria necessário para viver.

Imagino o porque da associação involuntária/inconsciente de histórias juvenis com se sentir vivo, ser jovem é estar próximo do 'viver' propriamente dito. Fase de explorar, desejar, apreciar, refutar, imaginar... 'N' verbos com significados relativos ao próprio prazer, quase um Satanismo real. A pior coisa é ser impedido de seus prazeres. Coisa que o Satanista almeja com tango afinco! É complicado falar sobre o real satanismo nos dias de hoje, alias, sempre foi... Exemplo disso é ocultismo demonizado que foi instituído até mesmo contra Jesus -enquanto em terra. Logo o Messias, o tão falado filho do Deus do amor, causando sua crucificação. Maldita sociedade, ainda alimentam o mesmo pragmatismo.

Hoje em dia, percebo que o mundo em que vivemos é apenas um reflexo do mal-humor de Deus. Pessoas perversas, desequilibradas, lunáticas e esquizofrênicas nos rodeiam. Estou expondo meu ponto de vista, talvez eu seja um, ou o esquizofrênico a qual me refiro, porém não há se quer um ser vivo capaz de dizer que estou a beira do precipício. Não há um alguém a altura de dizer que meus desejos/instintos são malefícios diante a sociedade. E seguindo meu impulso, aproveitando o meu bem estar, continuarei meditando maneiras de te esquartejar com aquele cutelo que compramos juntos. Lembro-me do teu sorriso quando me mostro-o pela primeira vez, e quero ver novamente quando estiver arrancando pedaços de você.

Na companhia do meu teclado e um love metal, fantasio sua morte. Porém com consciência que isso não pode sair do mundo astral. Afinal, devo alimentar meu desejo ou não? Se o deixar ir, minha frustração aumentará e ficarei mal por isso, em contrapartida se eu executar, te executar, terei que arcar com as consequências de uma legislação fajuta. Realidade cruel, e o meus direitos decretados na Constituição de 1988? Penso que podemos fazer tudo que queremos, quando estou nessa vibe, só devo me atentar a maneira correta de fazer, para driblar os Direitos Humanos. - Assim pensou o jovem psicopata, tentando reprimir seus desejos. 

Só sobreviver

Existe um tipo de cansaço que não se explica. Não é o cansaço do corpo depois de um dia longo, nem o sono acumulado de noites mal dormidas. ...